O Governo Federal anunciou o investimento de R$ 150 milhões provenientes do Fundo Amazônia para impulsionar o programa Desafios da Amazônia. A iniciativa visa financiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica voltados para gargalos concretos das cadeias socioprodutivas na Amazônia Legal. O anúncio ocorreu em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, com a coordenação da Iniciativa Amazônia+10, liderada pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap).
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A viabilização dos recursos é feita em parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que gerencia o fundo. O acordo foi oficializado com assinaturas dos ministros João Paulo Capobianco e Luciana Santos, da diretora do BNDES Luciana Costa, e de Márcia Perales, diretora-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), representando o Confap, em cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Investimentos focam em cadeias produtivas locais
O programa opera em cooperação com a Fundação Arthur Bernardes e estabelece o lançamento de até dois editais públicos. O objetivo é selecionar e apoiar pelo menos 18 propostas colaborativas, com um aporte financeiro médio de R$ 7 milhões para cada projeto aprovado.
As propostas devem integrar obrigatoriamente duas Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) e uma Organização Socioprodutiva (OSP). Todas as entidades líderes precisam ter sede na Amazônia Legal, embora o programa permita a cooperação com instituições de pesquisa situadas em outras regiões do território nacional. Podem se candidatar universidades públicas e privadas sem fins lucrativos, institutos federais e centros de pesquisa, desde que atuem em conjunto com cooperativas e associações comunitárias locais.
Inovação tecnológica e bolsas de estudo na Amazônia
As primeiras chamadas públicas vão direcionar os aportes para soluções tecnológicas que agreguem valor às cadeias do açaí, cacau, castanha, babaçu e do pescado. O foco central das pesquisas é a geração de renda para as populações locais, a mitigação de assimetrias regionais e a consolidação da bioeconomia nortista.
Os impactos previstos com o investimento de R$ 150 milhões incluem:
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Desenvolvimento de aproximadamente 36 soluções tecnológicas voltadas para os principais gargalos produtivos regionais.
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Participação ativa de ao menos 72 instituições de ciência e tecnologia estabelecidas na região nortista.
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Envolvimento direto de cerca de 630 pesquisadores residentes na Amazônia Legal.
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Concessão de quase 600 bolsas de pesquisa, abrangendo modalidades científicas e bolsas comunitárias para os moradores locais.
A cooperação científica busca valorizar o conhecimento produzido no próprio território amazônico, transformando o saber acadêmico em ferramentas práticas de sustentabilidade e preservação ambiental.
O papel estratégico do Fundo Amazônia no desenvolvimento regional
Criado em 2008 para financiar a prevenção e o combate ao desmatamento, o Fundo Amazônia retomou suas atividades de forma ampliada. O foco atual abrange o suporte a povos indígenas, restauração de florestas e incentivos a atividades produtivas sustentáveis.
Desde o período de retomada, a linha de financiamento já destinou mais de R$ 1,6 bilhão para ações de sociobioeconomia. Esses repasses buscam beneficiar diretamente mais de 100 mil cidadãos e oferecer suporte a cerca de 300 organizações civis nos estados que compõem a Amazônia Legal. Ao longo de sua história, o mecanismo contabiliza 287 mil beneficiários e a geração de R$ 364 milhões em receitas para as comunidades tradicionais da floresta.
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