Estudo aponta impactos das mudanças climáticas, contaminação por mercúrio e pressão sobre territórios indígenas
As mudanças climáticas e o avanço do garimpo ilegal estão entre os principais desafios ambientais enfrentados pelo Amazonas, segundo o relatório “O protagonismo das florestas brasileiras na agenda climática global”, divulgado nesta semana pelo projeto Amazônia 2030.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
O documento reúne análises de pesquisadores, especialistas e organizações ligadas à pauta ambiental e destaca os efeitos cada vez mais evidentes da crise climática sobre a população amazonense, especialmente comunidades indígenas, ribeirinhas e moradores do interior do estado.
O impacto humano das secas extremas e do desmatamento
De acordo com o estudo, o Amazonas registrou nos últimos anos eventos climáticos extremos, incluindo secas históricas e cheias severas, que provocaram a morte de peixes, perdas na produção agrícola e aumento da insegurança alimentar em diversas regiões.
Além disso, a perda da cobertura florestal nas proximidades dos centros urbanos elimina o equilíbrio térmico local, gerando fortes ondas de calor e elevando as temperaturas a patamares alarmantes. A floresta amazônica, que atua na regulação do clima sul-americano transportando umidade por meio dos “rios voadores”, vê sua capacidade de armazenamento de carbono e indução de chuvas seriamente comprometida por essa degradação contínua.
A liderança indígena Vanda Witoto, citada no relatório, relata que os impactos desses fenômenos têm afetado diretamente o cotidiano das comunidades tradicionais.
“Em nossa região do Amazonas, vivenciamos, nos últimos dois anos, secas e cheias extremas, morte de peixes sem oxigênio, perda das plantações e insegurança alimentar”, afirma o documento ao reproduzir o relato da liderança indígena.
Garimpo ilegal e mercúrio preocupam pesquisadores
Outro ponto de destaque no relatório é o avanço do garimpo ilegal e seus efeitos sobre os rios amazônicos. Segundo os pesquisadores, a utilização de mercúrio na extração clandestina de ouro representa uma ameaça à qualidade da água, à pesca e à saúde das populações que dependem dos recursos naturais para sobreviver. O estudo alerta que a contaminação dos rios vem aumentando a preocupação entre moradores e comunidades tradicionais da região.
“Estamos com medo de beber das águas, comer dos peixes e mergulhar nos rios. As águas agonizam contaminadas com mercúrio pela ganância do ouro”, relata Vanda Witoto.
Além da poluição dos cursos d’água, o documento destaca que a perda da cobertura florestal e o desmatamento contribuem para o aumento das temperaturas, especialmente em áreas próximas aos centros urbanos, agravando os efeitos das ondas de calor.
Pressão sobre territórios indígenas e saberes tradicionais
O relatório também chama atenção para a crescente pressão sobre os territórios indígenas e para a utilização de conhecimentos tradicionais sem o devido reconhecimento das comunidades que desenvolveram esses saberes ao longo de gerações.
Segundo os autores, a proteção desses territórios e o fortalecimento dos direitos das populações tradicionais são fatores essenciais para a conservação da biodiversidade amazônica e para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Amazonas pode liderar economia sustentável baseada na floresta
Apesar dos desafios apontados, os pesquisadores avaliam que o Amazonas possui potencial para se tornar referência mundial em modelos econômicos sustentáveis. O relatório destaca oportunidades ligadas à bioeconomia, ao manejo sustentável dos recursos naturais e à valorização dos produtos da floresta como caminhos para geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico sem ampliar a degradação ambiental.
Para os especialistas, a conservação da floresta pode ser um dos principais ativos estratégicos do estado diante das transformações econômicas e climáticas previstas para as próximas décadas.
Amazônia ocupa papel central no combate à crise climática
O estudo reforça que a Amazônia desempenha papel fundamental na regulação climática global por abrigar a maior floresta tropical do planeta. Além de armazenar bilhões de toneladas de carbono, o bioma influencia o regime de chuvas em diversas regiões da América do Sul por meio dos chamados “rios voadores”, correntes atmosféricas responsáveis pelo transporte de umidade para outras áreas do continente.
No entanto, a região continua enfrentando ameaças relacionadas ao desmatamento, queimadas, exploração ilegal de madeira e garimpo, fatores que contribuem para a degradação ambiental e ampliam os impactos das mudanças climáticas.
Segundo o relatório, a combinação entre atividades ilegais e eventos climáticos extremos tem aumentado os riscos para a biodiversidade, os recursos hídricos e as populações que vivem na floresta, colocando a Amazônia no centro das discussões globais sobre sustentabilidade e enfrentamento da crise climática.
Leia mais:
Amazonas reduz desmatamento em 14,6% em 2025, aponta relatório do MapBiomas
Fundo Amazônia destina R$ 150 milhões para pesquisa em bioeconomia
Brasil amplia cooperação internacional para acelerar projetos climáticos financiáveis
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

