Operação realizada em áreas remotas da Amazônia inutilizou máquinas, embarcações e equipamentos usados por organizações criminosas que atuavam próximas às terras indígenas Kayapó e Kuruaya.
O garimpo ilegal sofreu um dos maiores golpes dos últimos meses na Amazônia após uma operação do Ibama desarticular a estrutura utilizada por organizações criminosas na bacia do rio Xingu, no sudoeste do Pará. A ação, denominada Operação Xapiri Mebêngôkré, resultou na destruição de maquinários, veículos, embarcações e outros equipamentos avaliados em mais de R$ 33 milhões, utilizados para manter a atividade clandestina em funcionamento.
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A ofensiva foi concluída na última semana e teve como principal objetivo proteger as terras indígenas Kayapó e Kuruaya, regiões que vêm sendo pressionadas pela mineração ilegal. Segundo o Ibama, a presença do garimpo ameaça diretamente a biodiversidade, provoca a contaminação dos rios por mercúrio e coloca em risco a sobrevivência das comunidades indígenas que dependem desses recursos naturais.
Operação exigiu estrutura logística em áreas isoladas
A dimensão da operação foi ampliada pelas dificuldades de acesso às áreas de atuação dos criminosos. Grande parte dos alvos estava localizada em regiões remotas da Floresta Amazônica, sem ligação por estradas e distante dos centros urbanos, o que exigiu planejamento logístico e mobilização de recursos especializados.
Helicópteros foram utilizados para localizar os pontos de extração ilegal, transportar agentes e garantir o apoio às equipes em locais onde o deslocamento terrestre ou fluvial era inviável. Além disso, bases estratégicas foram instaladas em municípios da região para dar suporte às ações de fiscalização.
Na etapa inicial da operação, o Ibama contou com o apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Polícia Federal, ampliando a capacidade de atuação contra as organizações envolvidas na atividade criminosa.
Garimpo ilegal perdeu máquinas e equipamentos essenciais
Diante da impossibilidade de remover os equipamentos encontrados em locais de difícil acesso, o Ibama aplicou o artigo 111 do Decreto Federal nº 6.514/2008, que autoriza a destruição imediata de bens utilizados em infrações ambientais quando sua retirada se torna inviável.

Ao todo, foram inutilizadas 45 escavadeiras hidráulicas, consideradas os principais equipamentos empregados na abertura de grandes cavas para extração de ouro. Também foram destruídos 81 motores e uma balsa utilizada no transporte e processamento do minério.
A operação ainda resultou na inutilização de tratores, caminhões, caminhonetes, motocicletas, quadriciclos, geradores de energia, aparelhos de internet por satélite, armas, munições, grande quantidade de combustível e estruturas de acampamento que davam suporte às atividades ilegais.
Segundo o órgão ambiental, a destruição desses equipamentos impede a retomada imediata do garimpo e reduz significativamente a capacidade operacional das organizações criminosas que atuavam na região.
Ação busca reduzir danos ambientais e proteger povos indígenas
Além do impacto financeiro causado aos responsáveis pela exploração ilegal, o Ibama destaca que a operação representa um importante avanço na proteção ambiental da bacia do rio Xingu.
Com a paralisação das escavadeiras e demais equipamentos, deixa de ocorrer a abertura contínua de novas áreas de mineração, a movimentação intensa de sedimentos e a supressão da vegetação nativa. A interrupção das atividades também reduz o lançamento de mercúrio e outros resíduos químicos nos cursos d’água utilizados pelas comunidades indígenas e pela fauna local.
Para o instituto, preservar as terras indígenas significa manter áreas fundamentais para a conservação da floresta, a recuperação da vegetação ciliar, a proteção dos rios e a continuidade dos modos de vida tradicionais dos povos originários.
O nome da operação também reforça esse objetivo. “Xapiri” faz referência aos espíritos protetores da floresta na tradição Yanomami e é utilizado pelo Ibama para identificar operações de combate ao garimpo em terras indígenas. Já “Mebêngôkré” é a forma como o povo Kayapó se autodenomina, homenageando diretamente uma das comunidades protegidas pela ação.
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