Reunião entre Lula e Lee Jae Myung consolida elevação das relações bilaterais para o status de Parceria Estratégica em meio a incertezas do comércio global.
A busca por garantir o suprimento global de minerais críticos e terras raras colocou o Brasil e a Coreia do Sul no centro de uma nova etapa de cooperação bilateral. Nesta segunda-feira, 27, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe no Palácio do Planalto o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, que realiza uma visita de Estado ao país acompanhado de uma comitiva de empresários e da primeira-dama asiática, que cumpre agenda cultural em São Paulo.
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O encontro acontece em um contexto diplomático decisivo, em que o governo brasileiro avalia os impactos do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Diante desse cenário, Brasília busca diversificar seus parceiros comerciais e acelerar negociações em frentes de alto valor agregado, aproveitando o momento em que a relação entre as duas nações foi elevada ao status de Parceria Estratégica.
Parceria estratégica entre Brasil e Coreia do Sul foca em inovação e agronegócio
A agenda de trabalho dá sequência aos compromissos firmados durante a viagem oficial de Lula a Seul, realizada em fevereiro. Na ocasião, em sua terceira visita ao país asiático e a primeira com o nível máximo de visita de Estado, os governos adotaram o Plano de Ação 2026-2029, documento que estabelece as prioridades das relações diplomáticas para os próximos anos.
Entre os tópicos centrais das negociações atuais estão setores da indústria de ponta, como semicondutores, inteligência artificial, transição energética e biotecnologia. No setor de saúde, a cooperação foca na expansão de tecnologias voltadas a hospitais inteligentes, segmento em franca expansão no território sul-coreano, além de avanços na indústria farmacêutica e de cosméticos.
Do lado econômico, a pauta abrange o fortalecimento da integração produtiva e a expansão do comércio exterior. O Brasil trabalha para ampliar o acesso de seus produtos agropecuários ao mercado sul-coreano, com destaque para a abertura de espaço para a carne bovina brasileira. A pauta de conversas inclui também incentivos à educação, acordos no setor cinematográfico, esportes e discussões sobre um eventual tratado comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul.
Comércio bilateral atinge US$ 10,8 bilhões e atrai investimento estrangeiro
O volume das trocas comerciais reflete a importância de Seul para a economia brasileira. Em 2025, a corrente de comércio entre as duas nações alcançou US$ 10,8 bilhões. Com esse resultado, o país asiático consolidou-se como o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e o quinto principal destino das exportações brasileiras direcionadas para aquela região.
No ecossistema de investimentos globais, a Coreia do Sul ocupa atualmente a 19ª posição entre os maiores investidores estrangeiros no mercado brasileiro. A expectativa do Planalto é que a presença da comitiva empresarial sul-coreana nesta visita estimule novos aportes em infraestrutura, energia e tecnologia nos próximos anos.
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