Na abertura da campanha à reeleição, no domingo (16), Lula escolheu o passado. O ato no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, foi um retorno ao que ele ainda enxerga como seus dias de glória, sem conseguir desapegar dos anos de metalúrgico, com direito a vídeo sobre a trajetória no ABC e abraço nos antigos companheiros de sindicato. O presidente falou muito sem apresentar quase nada de propostas para o futuro e sem explicar por que precisaria de mais quatro anos no Planalto.
Até a pauta que promete ser o carro-chefe da campanha, o fim da escala 6×1, ele está ancorando no passado, nos tempos em que lutava por direitos trabalhistas nas fábricas do ABC. A tentativa de conquistar o eleitorado evangélico, no qual amarga defasagem nas pesquisas, ficou por conta da música cantada pelo pastor Kleber Lucas e Janja, gesto que não convence quem já não pensava em votar nele.
No balanço, Lula abriu a disputa falando para dentro. Diante de uma base que dispensava convencimento, o discurso girou em torno da própria biografia e passou ao largo justamente de quem ainda hesita. Pregou, mais uma vez, para convertido.


