Ministros deixaram a votação após declarações de impedimento e suspeição; plenário analisa abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no caso Master
O julgamento de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) terá dois ministros a menos na votação sobre a possível abertura de investigação relacionada ao caso Master. Kassio Nunes Marques declarou-se impedido de participar da análise, enquanto Dias Toffoli alegou suspeição por motivo de “foro íntimo”.
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A decisão de Nunes Marques ganhou atenção durante a sessão porque, nos bastidores, o ministro é considerado alinhado ao grupo de André Mendonça. Ao explicar sua saída do julgamento, ele afirmou que seu filho nunca prestou serviços ao Banco Master, mas disse não se sentir confortável em participar da votação.
Já Toffoli afirmou ter acolhido uma sugestão de Flávio Dino para declarar sua suspeição. A possibilidade de que ele não participasse da análise era considerada mais previsível.
Nunes Marques deixa julgamento de Moraes
Ao justificar o impedimento, Nunes Marques relacionou sua decisão também à condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao possível impacto político-eleitoral do julgamento.
“Não tenho dúvida de que, em que pese os debates vão fluir, que esse julgamento eventualmente pode também impactar no cenário politico eleitoral, então, na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo meu impedimento”, disse Nunes Marques.
A expectativa de que o ministro pudesse se afastar da votação também estava relacionada a mensagens trocadas entre seu filho, Kevin Marques, e Daniel Vorcaro. O conteúdo foi divulgado na manhã desta terça-feira (15/9), após o compartilhamento de informações do celular de Vorcaro com ministros.
Os prints indicam que Kevin Marques teria recebido pagamentos de R$ 500 mil do banqueiro. Durante o julgamento, porém, Nunes Marques afirmou que nunca analisou “nenhum processo relacionado ao Master” e declarou que seu filho “nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco”.
Ministro defende isenção e explica impedimento
Nunes Marques sustentou que sua atuação anterior demonstraria independência em processos envolvendo Daniel Vorcaro. Segundo o ministro, uma eventual relação que comprometesse sua atuação seria incompatível com votos que já proferiu.
“Quanto a isso, eu tenho absoluta isenção e minha isenção está calcada e absolutamente comprovada nos votos que eu proferi. Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, de sue pai e outras pessoas envolvidas”, afirmou o magistrado.
Ao explicar a decisão de não participar da votação, o ministro disse que “impedimentos não decorrem de culpabilidade”, mas de fatores “intrínsicos e extrínsecos”.
Nunes Marques também destacou sua função à frente do TSE. Segundo ele, trata-se de uma missão que lhe foi “conferida pela constituição brasileira e até agora está sendo assegurada por Deus”, função que considera mais importante do que sua participação no julgamento relacionado ao caso Master.
Com as manifestações de Nunes Marques e Dias Toffoli, ambos ficam fora da votação em que o plenário do STF analisa se será aberta uma investigação contra Alexandre de Moraes por envolvimento no caso Master.
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