Senador contesta resultado das eleições em carta divulgada nos Estados Unidos, mas substitui expressões como “presidente eleito” por “líder do Brasil” em uma segunda versão do documento.
Após deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou, nesta quarta-feira (28), uma carta na qual contesta o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. No primeiro documento, ele se declarou o “verdadeiro presidente do Brasil” e afirmou ser o “presidente eleito”, além de acusar supostas fraudes eleitorais sem apresentar provas.
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Posteriormente, o parlamentar publicou uma segunda versão da carta nas redes sociais, substituindo as expressões “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito” por “líder do Brasil” e “líder”, respectivamente.
As declarações contrastam com a posição oficial do Partido Liberal (PL), legenda de Flávio, que reconheceu o resultado das eleições, embora tenha solicitado esclarecimentos à Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por sua vez, confirmou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio Bolsonaro muda discurso após divulgar carta
Na primeira versão do documento, Flávio afirmou que os resultados eleitorais não representariam a vontade legítima dos eleitores e acusou adversários políticos de terem cometido crimes para interferir na votação.
“Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania”, escreveu o senador.
Na segunda publicação, o parlamentar alterou o trecho, substituindo a expressão “presidente eleito” por “líder”. A mudança ocorreu após a divulgação inicial da carta, que foi publicada em formato de imagens nas redes sociais.
No documento, Flávio também agradeceu a líderes internacionais, entre eles o presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O senador confirmou que está em território norte-americano.
Senador acusa Judiciário e questiona resultado das urnas
Na carta, Flávio Bolsonaro direcionou críticas ao Poder Judiciário e alegou que sua família estaria sendo alvo de perseguição política. O parlamentar também utilizou expressões como “regime de exceção” e negou que sua saída do Brasil represente uma fuga.
Para sustentar sua posição, ele comparou sua ida ao exterior a episódios históricos de exílio político.
O senador também contestou decisões da Justiça Eleitoral, especialmente uma determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ampliou em duas horas o horário de votação no último domingo.
A prorrogação ocorreu após solicitações da coligação de Lula e da própria campanha de Flávio Bolsonaro, diante de problemas no transporte público de eleitores e de condições climáticas que poderiam prejudicar o comparecimento às urnas.
Segundo os dados citados no levantamento sobre a votação, menos de 35 mil votos foram registrados entre as 17h e as 19h. No resultado nacional, Lula terminou com uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro.
Apesar disso, o senador alegou que teria ocorrido uma “impossibilidade matemática” no resultado eleitoral, sem apresentar provas que sustentassem a acusação.
Flávio defende cassação da chapa de Lula e Alckmin
Na carta, o parlamentar também defendeu a cassação da chapa vencedora, formada por Lula e Geraldo Alckmin (PSB), e afirmou que pretende liderar a oposição política a partir dos Estados Unidos.
As declarações foram feitas mesmo após o reconhecimento do resultado eleitoral pelo PL e a confirmação oficial da vitória pela Justiça Eleitoral.
Até o momento descrito nas manifestações citadas, as acusações de fraude apresentadas por Flávio Bolsonaro não vieram acompanhadas de evidências que comprovassem irregularidades capazes de alterar o resultado da votação.
TSE confirma vitória de Lula e afirma que eleição foi segura
O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Após a conclusão da votação, a Corte também afirmou que o processo eleitoral transcorreu com segurança e transparência.
Em manifestações posteriores ao pleito, o tribunal reiterou que não foram identificadas fraudes ou inconsistências capazes de comprometer a legitimidade da vontade expressa pelos eleitores.
A posição do TSE contrasta com as acusações feitas por Flávio Bolsonaro na carta divulgada nas redes sociais. Enquanto o senador questiona o resultado e defende a cassação da chapa vencedora, a Justiça Eleitoral mantém a confirmação da vitória de Lula.
O PL, partido de Flávio, também reconheceu o resultado das urnas, embora tenha solicitado esclarecimentos à Justiça Eleitoral.
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