Mensagens interceptadas revelam que o ex-ministro intermediou contato entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro a respeito de repasses a escritório de advocacia
Diálogos encontrados no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que o ex-ministro Fábio Faria teria intermediado cobranças atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes sobre pagamentos ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado.
O caso envolvendo Fábio Faria e Daniel Vorcaro ocorreu em março de 2024, dois meses após a assinatura de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes. Segundo informações divulgadas pelo Estadão, o documento teria sido editado pelo próprio ministro Alexandre de Moraes.
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Nos diálogos extraídos do celular de Vorcaro, Faria encaminhou ao banqueiro imagens de visualização única que, segundo investigadores ouvidos pelo jornal, seriam de conversas entre ele e Moraes pelo WhatsApp. Em seguida, o ex-ministro escreveu: “O careca não pode atrasar”.
Fábio Faria teria intermediado cobrança de Moraes
Fábio Faria, que foi ministro das Comunicações durante o governo Jair Bolsonaro, mantinha proximidade com Daniel Vorcaro e teria atuado como uma espécie de conselheiro político do banqueiro, apresentando-o a pessoas influentes em Brasília.
Em 15 de março de 2024, às 14h48, Faria escreveu ao banqueiro: “Irmão. Depois vê aí que preciso retornar o careca”.
Na sequência, encaminhou as imagens de visualização única. Pelo contexto da conversa, investigadores citados pelo Estadão avaliam que o material indicaria cobranças feitas por Moraes a Faria relacionadas à demora nos pagamentos previstos no contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane.
O contrato estabelecia, em sua 11ª cláusula, que os pagamentos deveriam ser realizados até o quinto dia útil de cada mês. Conforme a reportagem, os valores referentes a fevereiro e março de 2024 já estariam atrasados.
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Vorcaro indicou responsável pelos pagamentos
Após receber as imagens e a mensagem de Faria, Daniel Vorcaro respondeu que o contato responsável pelo pagamento não era “Fabiano”, mas “Ângelo do banco”.
Segundo a interpretação de investigadores citados pelo Estadão, a conversa indicaria que o responsável pelos pagamentos não seria Fabiano Zettel, apontado como homem de confiança de Vorcaro e pessoa que estaria sendo considerada pelo escritório Barci de Moraes, mas Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio e tesoureiro do Banco Master.
Faria tentou ligar para Vorcaro logo depois, mas o banqueiro não atendeu. Ele afirmou que não poderia conversar naquele momento e escreveu: “Te chamo daqui a pouco”.
Faria respondeu: “Tá. Manda pagar a ele. O careca não pode atrasar. Passa o contato do Ângelo que passo pra ele”.
Na sequência, o ex-ministro afirmou que encaminharia o contato de Ângelo Silva a Moraes e acrescentou: “Avisa que vão ligar do escritório”.
Faria diz que desconhecia contrato de R$ 131 milhões
Procurado pelo Estadão, Fábio Faria afirmou que o pagamento mencionado nas conversas seria relacionado a um processo judicial em São Paulo no qual o escritório de Viviane Barci de Moraes teria atuado para Daniel Vorcaro.
Segundo Faria, a disputa envolvia o empresário Vladimir Timerman. O ex-ministro afirmou ainda que foi consultado por Vorcaro sobre a contratação do escritório de Viviane para o processo e que recomendou a atuação da advogada.
Faria, porém, declarou que não participou de nenhuma reunião com o escritório e que desconhecia o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e a banca de advocacia.
Contrato era considerado compromisso importante do Master
Segundo informações divulgadas pelo Estadão, depois das supostas cobranças atribuídas a Alexandre de Moraes e transmitidas a Vorcaro por Fábio Faria, o banqueiro teria determinado uma operação na tesouraria do Banco Master para garantir que os pagamentos fossem realizados, inclusive sem nota fiscal.
O contrato de R$ 131 milhões teria sido tratado por Vorcaro como o compromisso “mais importante” do banco.
Mensagens encontradas no celular do banqueiro também mostram que ele teria alertado funcionários sobre possíveis consequências caso os pagamentos não fossem realizados. Em uma das conversas, Vorcaro afirmou: “Vamos ter problemas”.
O ministro Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram sobre as informações divulgadas na reportagem.
*Com informações: O Estadão
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