Nova fase da investigação sobre fraudes no INSS mira suspeitas de lavagem de dinheiro no Maranhão e no Distrito Federal
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (4), uma nova etapa da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os alvos das ações estão a esposa e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), além do advogado Willer Tomaz.
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Nesta fase, as diligências da PF têm como foco a apuração de possíveis crimes de lavagem de dinheiro. De acordo com a corporação, existem indícios de movimentações patrimoniais e financeiras suspeitas realizadas por meio de empresas, contas de terceiros e transações em espécie com o objetivo de ocultar a origem e os destinatários finais dos valores.
Ao todo, os agentes cumprem 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), distribuídos entre o Distrito Federal e o estado do Maranhão. O processo que investiga as fraudes no INSS corre sob a relatoria do ministro André Mendonça no STF.
Alvos e desdobramentos da Operação Sem Desconto
O senador Weverton Rocha, que é líder do PDT no Senado, aliado do governo federal e pré-candidato à reeleição, já havia sido objeto de mandados de busca e apreensão em dezembro de 2025, em fase anterior da mesma operação. Naquele momento, as investigações apontaram para uma possível conexão política e empresarial entre o parlamentar e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Em sua defesa, Weverton Rocha nega qualquer envolvimento nas irregularidades. O senador admitiu ter se encontrado anteriormente com o empresário, mas ressaltou que a reunião tratou exclusivamente de temas de caráter legislativo.
Conexões e investigados na nova fase da Polícia Federal
Outro nome citado na operação é o do advogado Willer Tomaz, que mantém vínculos com figuras proeminentes do cenário político. Em setembro de 2025, Tomaz e Weverton realizaram uma viagem particular em família para os Estados Unidos a bordo de um jatinho do qual o advogado declarou ser coproprietário e responsável pelos custos.
Além da proximidade com o líder do PDT, Willer Tomaz é amigo de longa data do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A relação entre ambos ficou pública durante os trabalhos da CPI da Covid em 2021 e também na apuração sobre a disputa judicial de um imóvel de alto padrão em Angra dos Reis, no qual Flávio chegou a visitar a propriedade ao lado de Willer e figurou como testemunha no caso, sem ser parte do processo.
A Polícia Federal reforça que o cumprimento de mandados de busca e apreensão integra a fase de coleta de provas de um inquérito e não configura condenação. A apuração de responsabilidades dependerá da análise de todo o material apreendido e dos desdobramentos das investigações sob supervisão da Justiça.
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