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Vorcaro afirma que R$ 5 milhões em doações em 2022 eram propina a Tarcísio e Bolsonaro

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Em proposta de delação rejeitada pela PF e pela PGR, ex-banqueiro disse que valores estariam ligados a um “ajuste indevido” com Gilberto Kassab para manter o Credcesta no governo de São Paulo.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de delação premiada, que os R$ 5 milhões destinados às campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL), em 2022, faziam parte de um esquema de propina a Tarcísio e Bolsonaro, segundo o relato apresentado às autoridades. Vorcaro está preso no âmbito do escândalo do Banco Master.

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Do total mencionado, R$ 2 milhões foram destinados à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões à de Bolsonaro. Os recursos foram repassados oficialmente por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero. Naquele ano, Zettel foi o maior doador dos dois políticos.

Na versão apresentada pelo ex-banqueiro, os valores seriam “contrapartidas financeiras” relacionadas a um “ajuste indevido com Gilberto Kassab [presidente do PSD e ex-secretário de Governo e Relações Institucionais na gestão Tarcísio] para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”.

A proposta de colaboração foi revelada pelo UOL na quinta-feira (3/9). O material, porém, não resultou em acordo com as autoridades. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República rejeitaram as versões apresentadas por Vorcaro.

Vorcaro relaciona doações à manutenção do Credcesta

O relato do ex-banqueiro aponta que a continuidade do Credcesta no governo paulista teria sido o centro das articulações. Segundo Vorcaro, Augusto Lima, sócio do banco responsável pelas articulações para a expansão do negócio, buscou garantir a manutenção da operação diante da provável eleição de Tarcísio em 2022.

Inicialmente, conforme o depoimento, o pagamento relacionado à negociação seria feito integralmente em dinheiro. Vorcaro afirmou, porém, que “Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e angariar recursos, mas, que, neste caso, os partidos parceiros somente aceitariam doações oficiais”.

No fim de agosto, Vorcaro solicitou para prestar depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta de delação foi recusada pela terceira vez, sob a justificativa de ausência de fatos novos.

O depoimento ocorreu em 27 de agosto, na penitenciária da Papudinha, e foi conduzido por João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete de Mendonça. Dois advogados de Vorcaro, Daniel Bialski e Engels Muniz, acompanharam a oitiva, assim como um integrante do Ministério Público.

Tarcísio e Kassab negam acusações

Gilberto Kassab e Tarcísio de Freitas negaram qualquer ligação com Daniel Vorcaro e rejeitaram o conteúdo apresentado pelo ex-banqueiro.

Kassab classificou o relato como “absolutamente fantasioso”. “Refuto com veemência”, disse o presidente do PSD. “Nunca tratei de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Aliás, não tenho qualquer relação com Daniel Vorcaro, nunca falei com ele, pessoalmente ou por telefone”, afirmou.

O dirigente também declarou conhecer Augusto Lima e Thiago Botelho, mas negou ter tratado com eles sobre o Credcesta. “Conheço Augusto Lima e Thiago Botelho, mas nunca tratei sobre o Credcesta. Não participei ou recebi nenhuma doação de Vorcaro, de Lima, ou Botelho. Nunca recebi valores em espécie. São relatos que desconheço a origem e que não têm qualquer sustentação factual”, acrescentou Kassab, em nota.

A assessoria de Tarcísio afirmou que a campanha eleitoral de 2022 “contou com mais de 600 doadores e foi conduzida em estrita observância à legislação eleitoral”. Segundo o comunicado, “o governador não possui qualquer vínculo ou relação com o doador citado e não tinha conhecimento prévio de eventuais condutas alheias à campanha. A prestação de contas da campanha foi regularmente apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral”.

A equipe do governador também afirmou que o credenciamento da PKL One Participações S.A., responsável pelo cartão Credcesta, ocorreu em maio de 2022, ainda na gestão anterior. “Esse credenciamento não constitui contrato com o Estado e não envolve qualquer repasse de recursos públicos. Trata-se exclusivamente de uma habilitação que permite aos servidores escolher livremente, entre as instituições autorizadas, aquela com a qual desejam realizar operações consignadas”, informou a nota.

A defesa de Augusto Lima, procurada sobre o caso, afirmou que não comentaria as informações por considerá-las “absurdas”.

* Com informações de Metropoles

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