O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assinou na segunda (3) um memorando com a ElevenLabs para bloquear a clonagem não autorizada de vozes de candidatos e autoridades. A lista de vozes protegidas mira o deepfake fraudulento, o áudio falso que atribui ao político uma frase que ele não disse.
O caso mais visível de IA na campanha, porém, é de outra natureza. Na convenção que oficializou Flávio Bolsonaro, em 25 de julho, o PL exibiu um avatar do ex-presidente. A gravação abre com o aviso de que ali não está Bolsonaro, e sim uma simulação de sua imagem e de sua voz feita com inteligência artificial. O avatar declara apoio ao filho e pede votos.
Esse uso não cai na proteção do acordo. Não se trata de clone não autorizado. É o próprio Bolsonaro, reproduzido com o consentimento do grupo, e o memorando só alcança o que sai da plataforma da ElevenLabs, e não ferramentas de terceiros.
O ponto vai além da técnica. Bolsonaro está preso e inelegível, sob restrição de comunicação. O avatar faz o que a voz real não pode, mantém o líder ausente no centro do palanque. O TSE montou a cerca contra o impostor. A família entrou pela porta que a regra não cobre, e o aviso de que é IA é o que mantém tudo dentro da lei.


