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Alta histórica do ouro pressiona meio ambiente e destaca riscos para o Brasil

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O preço do ouro atingiu 4 mil dólares por onça (aproximadamente R$ 21,8 mil), um recorde histórico que reflete instabilidade financeira global e preocupa países emergentes, como o Brasil. Especialistas afirmam que, além de atrair investidores em busca de segurança, a valorização do metal aumenta os riscos socioambientais, estimulando a exploração ilegal e impactos sobre florestas e comunidades locais.

A desconfiança no dólar e as tensões geopolíticas são fatores que impulsionam a corrida pelo ouro. “Quando o mercado busca o ouro como abrigo de valor em detrimento do dólar ou de criptoativos, indica que a percepção de risco global aumentou”, explica a economista Bruna Centeno. A instabilidade da economia americana, o endividamento público elevado e a perda de confiança em instituições multilaterais reforçam essa tendência.

No Brasil, a alta do ouro tem consequências diretas sobre o meio ambiente. Produzindo cerca de 70 toneladas anuais, o país enfrenta desafios históricos ligados à mineração, como desmatamento, contaminação por mercúrio e conflitos com comunidades locais. Larissa Rodrigues, doutora em energia pela USP, alerta que “a valorização do metal estimula extração legal e ilegal, agravando impactos socioambientais e alimentando o crime organizado”.

Especialistas destacam que o país precisa avançar em mineração responsável, com rastreabilidade do ouro, fiscalização ambiental efetiva e proibição do uso de mercúrio. Embora haja avanços recentes, como notas fiscais eletrônicas para o ouro, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para garantir extração sustentável e proteger o meio ambiente.

A valorização recorde do ouro, portanto, não é apenas uma oportunidade econômica: representa um dilema para o Brasil, que precisa equilibrar interesses financeiros com preservação ambiental e direitos das comunidades afetadas pela mineração.

*Com informações de Vinicius Pereira

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