Brasília liderou a expansão das feições urbanizadas, enquanto o Nordeste apresentou o maior crescimento regional no período
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (18) a quarta edição da série Áreas Urbanizadas do Brasil, com dados de referência de 2022. O levantamento mostra como o processo de urbanização se distribui pelo território nacional e permite acompanhar mudanças na ocupação das cidades, considerando elementos como edificações, circulação de pessoas, rede viária e proximidade entre residências.
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O mapeamento foi elaborado a partir da interpretação visual de imagens de satélite. A metodologia permite identificar processos de expansão, estabilidade, densificação e retração das morfologias urbanas em diferentes regiões do país. As chamadas Feições Urbanizadas reúnem Áreas Urbanizadas, Vazios Intraurbanos e Outros Equipamentos Urbanos.
Áreas urbanizadas ocupavam 50,9 mil km² em 2022
Em 2022, as morfologias urbanas ocupavam 50.981,91 km², o equivalente a 0,60% do território brasileiro. São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia concentravam 50,35% das Feições Urbanizadas do país.
Por outro lado, 13 Unidades da Federação tinham participação inferior a 2% do total nacional.
Entre 2019 e 2022, o Nordeste apresentou o maior incremento absoluto e relativo de Feições Urbanizadas e Loteamentos Vazios, com aumento de 1.961,44 km², equivalente a 16,52% no período.
O acompanhamento dessas transformações permite ao IBGE contribuir para estudos sobre ocupação territorial, mobilidade urbana, habitação, meio ambiente e sustentabilidade, além de subsidiar o planejamento e a formulação de políticas públicas.
Urbanização se concentra principalmente no litoral
O levantamento aponta uma forte concentração das áreas urbanizadas na faixa litorânea brasileira. Os 443 municípios costeiros ocupam apenas 5,02% do território nacional, mas reuniram 9.941,50 km² de Feições Urbanizadas em 2022, o equivalente a 19,50% do total do país.
Na Amazônia Legal, a relação é inversa. Os 772 municípios da região representam 59,11% da área territorial brasileira, mas concentraram 14,27% das Feições Urbanizadas em 2022.
Na maior parte dos estados, as Feições Urbanizadas eram compostas por 65% a 80% de áreas densas e 20% a 35% de áreas pouco densas. Distrito Federal, Rio de Janeiro e Rondônia apresentaram proporção de áreas densas próxima de 85%. Já Acre e Roraima tiveram mais de 40% de áreas pouco densas.
O Sudeste apresentou a maior extensão de Feições Urbanizadas Densas, com 14.529,63 km², correspondendo a 38,13% de todas as áreas densas identificadas no país. O Nordeste, por sua vez, concentrou a maior extensão de Feições Urbanizadas Pouco Densas, com 3.936,79 km², ou 30,56% do total nacional.
São Paulo tem maior área urbanizada entre os estados
São Paulo apresentou a maior extensão de Feições Urbanizadas em 2022, com 9.622,68 km². Desse total, 9.343,66 km² correspondiam a áreas densas e pouco densas, enquanto 279 km² eram Loteamentos Vazios.
Na outra ponta, o Amapá registrou a menor extensão de morfologias urbanas, com 184,64 km² de Feições Urbanizadas, equivalente a 0,36% do total nacional. O estado também contabilizou 70,03 km² de Loteamentos Vazios.
Entre 2019 e 2022, o Nordeste respondeu por 30,22% da expansão horizontal das Feições Urbanizadas no país, com crescimento de 1.448,18 km². O Sudeste veio em seguida, com 27,77%, equivalente a 1.330,54 km², e o Sul registrou 25,86%, com 1.239,17 km².
O Nordeste também concentrou a maior parcela do acréscimo de Loteamentos Vazios, com 44,08% do total. O Sudeste respondeu por 23,7%, o Centro-Oeste por 13,83%, o Norte por 9,69% e o Sul por 8,70%.
Áreas urbanizadas avançam mais no Nordeste
Embora o Sudeste tivesse a maior extensão de Áreas Urbanizadas em 2022, com 17.454,11 km², o Nordeste liderou a expansão horizontal entre 2019 e 2022.
A região registrou crescimento de 1.362,26 km², enquanto o Sudeste apresentou expansão de 1.190,22 km².
Treze Unidades da Federação tinham menos de 1.000 km² de Áreas Urbanizadas. O grupo inclui estados do Norte, com exceção do Pará; Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe; Mato Grosso do Sul e Distrito Federal; além do Espírito Santo.
Essas unidades, somadas a Mato Grosso e Rio de Janeiro, também apresentaram expansão horizontal inferior a 100 km² entre 2019 e 2022.
Equipamentos urbanos e vazios intraurbanos
Os Outros Equipamentos Urbanos abrangem estruturas não residenciais localizadas no entorno ou a menos de 3 quilômetros de manchas urbanizadas. Entre os exemplos estão universidades, aeroportos, portos, shopping centers, estruturas industriais e estações de energia.
São Paulo apresentou a maior extensão dessa categoria em 2022, com 326,30 km², além da segunda maior expansão, de 51,86 km². Minas Gerais apareceu em seguida, com 217,81 km², e teve o maior crescimento no período, de 62,24 km².
O Paraná registrou a terceira maior área total, com 159,92 km², enquanto Mato Grosso apresentou a terceira maior expansão, com aumento de 23,28 km².
Já os Vazios Intraurbanos correspondem a áreas não ocupadas por construções, com extensão entre 0,25 km² e 2,5 km², que estão circunscritas às Áreas Urbanizadas. Podem incluir áreas verdes, parques, corpos d’água, áreas não ocupadas devido ao relevo e áreas de preservação previstas em lei.
Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina tiveram os maiores incrementos nessa categoria, com expansões de 15,65 km², 10,52 km² e 12,73 km², respectivamente.
Capitais aparecem entre os municípios com maiores áreas urbanizadas
Entre os 20 municípios com as maiores extensões absolutas de Feições Urbanizadas em 2022, 15 eram capitais. A lista também inclui Campinas, Guarulhos e Ribeirão Preto, em São Paulo, além de Feira de Santana (BA) e Uberlândia (MG).
Em comparação com 2019, houve mudanças no ranking. Brasília passou a apresentar a maior extensão absoluta de Feições Urbanizadas, superando o Rio de Janeiro. São Luís e Teresina também avançaram posições, ultrapassando Salvador e Uberlândia.
Belém e Feira de Santana ainda superaram Guarulhos e Ribeirão Preto na classificação.
Brasília lidera expansão das áreas urbanizadas
Brasília foi o município que apresentou a maior expansão de Feições Urbanizadas Densas e Pouco Densas entre 2019 e 2022.
A capital federal ampliou sua área urbanizada em 72,08 km², mais que o dobro do crescimento registrado por São Luís, que ficou na segunda posição, com expansão de 35,76 km².
Segundo o IBGE, a nova edição da série consolida o mapeamento como instrumento para compreender a expansão e a organização do território brasileiro. Os dados permitem comparar diferentes períodos e identificar áreas de crescimento acelerado, especialmente associadas à expansão horizontal e à ocupação de novas frentes urbanas, além de regiões com menor dinamismo ou maior consolidação.
O instituto destaca ainda que as dinâmicas de urbanização são heterogêneas e exigem análises integradas, combinando monitoramento geoespacial com indicadores socioeconômicos e ambientais. O objetivo é ampliar a produção de informações que possam apoiar políticas públicas de ordenamento territorial e decisões baseadas em evidências.
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