Sobretaxa começa em 1º de outubro e valerá para volumes enviados acima do limite anual estabelecido pelo governo chinês
A tarifa sobre a carne bovina brasileira na China ficará mais alta a partir desta quinta-feira, 1º de outubro. O governo chinês passará a cobrar uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes importados do Brasil que ultrapassarem a cota anual estabelecida para 2026.
O Ministério do Comércio da China informou nesta quarta-feira (30) que as importações de carne bovina brasileira atingiram 100% da quantidade prevista para o país em 29 de setembro. Pelas regras da salvaguarda adotada por Pequim, a cobrança adicional começa no terceiro dia após o limite ser alcançado.
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Com isso, a partir da zero hora de 1º de outubro, a carne brasileira importada além da cota ficará sujeita a uma tarifa adicional de 55% sobre a alíquota já aplicável.
Brasil recebeu maior cota para 2026
A China estabeleceu cotas específicas para os países que fornecem carne bovina ao mercado chinês. O mecanismo faz parte de uma medida de salvaguarda adotada para limitar o crescimento das importações e proteger o mercado doméstico.
Para o Brasil, a quantidade definida para 2026 é de aproximadamente 1,106 milhão de toneladas, a maior entre os países contemplados pelo sistema.
Dentro desse limite, a carne bovina brasileira está sujeita à tarifa regular de importação de 12%. A cobrança adicional de 55% incide somente sobre os volumes que ultrapassarem a quantidade estabelecida.
Em julho, quando circulavam informações de que a China teria criado uma nova taxação específica contra produtos brasileiros, o Ministério da Agricultura e Pecuária esclareceu que a medida integra uma salvaguarda aplicada aos países exportadores e não foi direcionada exclusivamente ao Brasil.
Naquele momento, cerca de 80% da cota brasileira havia sido utilizada. Em 10 de agosto, o percentual chegou a 90% e, em 29 de setembro, atingiu a totalidade.
Medida também alcança outros fornecedores
O mecanismo adotado pela China não se restringe ao Brasil. Outros fornecedores de carne bovina estão sujeitos às mesmas regras quando ultrapassam suas respectivas cotas.
A Austrália, por exemplo, avançou rapidamente sobre o limite estabelecido para seus embarques em 2026. Em junho, as importações australianas já haviam alcançado 90% da quantidade prevista pelo governo chinês.
As cotas variam de acordo com o país exportador, mas a regra prevê a cobrança adicional de 55% quando o volume definido é excedido.
China é principal mercado da carne brasileira
A mudança ganha importância para o setor brasileiro devido ao peso da China nas exportações de carne bovina.
O mercado chinês permanece como um dos principais destinos da proteína produzida no Brasil, concentrando parcela significativa dos embarques e das receitas obtidas pelos frigoríficos brasileiros no comércio internacional.
Em 2025, a China importou cerca de 1,68 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, volume equivalente a aproximadamente 48% das exportações do produto naquele ano. As vendas ao mercado chinês movimentaram cerca de US$ 8,9 bilhões.
Com a cota de 2026 esgotada ainda em setembro, novos embarques destinados à China passarão a enfrentar a tarifa adicional durante o restante do período previsto pela salvaguarda.
A medida pode influenciar as decisões comerciais dos frigoríficos e exportadores brasileiros, que poderão avaliar o redirecionamento de parte dos embarques para outros mercados ou negociar o impacto do custo adicional nas operações com compradores chineses.
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