O fortalecimento do mercado de viagens na Região Norte ganhou um novo capítulo com a chegada de investidores estrangeiros. Representantes de nove empresas chinesas e 20 empreendedores do trade local se reuniram recentemente com o objetivo de gerar negócios, atrair novos perfis de visitantes e consolidar o potencial turístico do Amazonas no cenário internacional. O encontro estratégico buscou abrir canais diretos de comercialização entre a oferta regional e a demanda asiática.
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A iniciativa faz parte do Experience Brasil – Famtour Mercado Chinês, um programa liderado pela Embratur em cooperação com o Sebrae Amazonas, a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), a Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV Amazonas), o Amazonas Cluster de Turismo e a iniciativa Amazonas Destinations. A proposta foca na capacitação de operadores globais e no reposicionamento estratégico dos destinos brasileiros perante o mercado internacional.
Rodadas de negócios e segmentos estratégicos no Sebraelab
Durante as atividades práticas da programação, as 20 empresas selecionadas pelo Projeto de Turismo do Sebrae Amazonas apresentaram suas soluções e portfólios para os compradores estrangeiros. Os encontros corporativos aconteceram no Sebraelab, ambiente voltado para inovação e networking em Manaus. Para mitigar barreiras de comunicação, a organização disponibilizou suporte técnico com tradução simultânea nos idiomas inglês e mandarim.
Os produtos e serviços apresentados foram segmentados em nichos específicos de alto valor agregado, que incluem:
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Turismo de luxo e viagens personalizadas
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Ecoturismo e turismo de natureza
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Viagens de aventura e imersão cultural
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Observação de aves (birdwatching)
Ananda Carvalho, diretora superintendente do Sebrae Amazonas, pontuou que a aproximação cria oportunidades concretas, sobretudo para os pequenos negócios locais. A gestora ressaltou que a conexão direta com o trade internacional serve para inserir o estado de forma definitiva na rota de consumo global, ressaltando que o potencial natural precisa ser acompanhado de estratégias comerciais ativas para gerar emprego e renda na região.
Desenvolvimento econômico e internacionalização da floresta
A ampliação do alcance dos pequenos negócios foi o ponto central destacado pela diretora técnica da instituição, Lamisse Cavalcanti. Segundo a dirigente, o turismo atua como um vetor de desenvolvimento econômico regional capaz de interligar comunidades tradicionais, prestadores de serviços e a cadeia de hospitalidade a mercados de grande porte, promovendo a valorização da cultura amazonense e o aumento da receita local.
O evento no norte do país integrou um itinerário mais amplo elaborado pela Embratur, que promoveu uma imersão cultural e técnica para a delegação da China em múltiplos destinos nacionais. Antes de desembarcarem em solo amazônico, os operadores asiáticos cumpriram agendas de prospecção e visitas técnicas nos estados do Rio de Janeiro e do Maranhão.
Relevância do intercâmbio no Ano Cultural Brasil-China
De acordo com Shirley Rocha, analista da Coordenação de Articulação com o Trade Nacional da Embratur, esta ação representa um marco inédito no formato de relacionamento com o país asiático, coincidindo com as celebrações oficiais do Ano Cultural Brasil-China. A analista explicou que o estado foi selecionado devido à sua capacidade de oferecer vivências autênticas, um dos atributos mais demandados pelo viajante chinês contemporâneo.
A convergência institucional foi endossada pela diretora de Marketing da Amazonastur, Ana Cláudia Rêgo, que classificou a rodada de negócios como um passo estratégico para atrair novos investimentos privados. Em sua análise, o trabalho conjunto entre a Embratur na promoção externa e o Sebrae na qualificação interna confere sustentabilidade à inserção internacional da marca Amazônia.
Infraestrutura e receptivo de alto padrão
Para o ambiente de negócios de receptivo, a infraestrutura atual da região está apta a receber diferentes perfis de viajantes internacionais. Vanessa Marino, presidente do Amazonas Cluster de Turismo, pontuou que o estado dispõe de uma cadeia estruturada, composta por:
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Hotéis de selva com certificações de sustentabilidade
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Barcos-hotéis voltados para o turismo de pesca e expedições
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Agências e operadoras de turismo receptivo especializadas
O presidente da ABAV Amazonas, Roberto Tavares, relembrou o peso econômico do país asiático, classificando-o como um dos maiores mercados emissores do planeta, cujo interesse pela biodiversidade local pode alavancar o fluxo de passageiros de longa distância nos próximos anos.
Redução de barreiras de mercado e competitividade global
A atuação institucional foca no estreitamento de lacunas logísticas e comerciais que pequenas empresas enfrentam de forma isolada. Carlos Fábio de Souza, gestor do Projeto de Turismo do Sebrae Amazonas, apontou que aproximar os empreendedores locais de grandes operadores reduz as distâncias comerciais e eleva a competitividade do destino fora das fronteiras brasileiras.
Complementando a visão de sustentabilidade do ecossistema, a diretora administrativa e financeira da entidade, Adrianne Antony Gonçalves, ressaltou que o contato com as exigências do mercado global funciona como um indutor de profissionalização, compelindo as empresas a refinarem seus processos de gestão e padrões de atendimento.
A perspectiva dos empresários locais
Para os empresários que participaram das mesas de negociação, a vinda dos operadores reduziu custos elevados de promoção internacional. Bruno Benndorf Mangolini, da Poranduba Amazônia, citou barreiras tradicionais como o idioma, o fuso horário e os custos de participação em feiras na Ásia, destacando que a vinda dos compradores agiliza o fechamento de parcerias.
Débora Mota, representante comercial do barco-hotel Untamed Amazon, confirmou a demanda do público chinês por roteiros customizados e de baixo impacto ambiental. A expectativa geral das entidades organizadoras é que o encontro consolide de forma perene o fluxo turístico e econômico entre a China e a floresta amazônica.
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