Lojas de vestuário responderam por 30,9 mil cortes, enquanto o setor de calçados eliminou outros 11,3 mil postos; juros elevados e mudanças no consumo pesam sobre o segmento.
O comércio varejista fechou 45,9 mil postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e junho de 2026, em seu pior desempenho para um primeiro semestre desde a pandemia. O resultado contrasta com o mercado formal brasileiro, que abriu 921 mil vagas no mesmo período, segundo o Caged.
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A maior parte das perdas ficou concentrada em segmentos ligados ao consumo de moda. As lojas de vestuário e acessórios responderam por 30,9 mil vagas eliminadas, enquanto o comércio de calçados registrou redução de 11,3 mil postos. Juntos, os dois segmentos representam a maior parcela do saldo negativo registrado pelo varejo.
Comércio varejista concentra as perdas no setor
Supermercados e hipermercados também reduziram seus quadros no primeiro semestre, com o fechamento de 5,6 mil vagas. O resultado fez com que o varejo respondesse por praticamente todo o desempenho negativo registrado pelo comércio.
Considerando o comércio em conjunto, o saldo foi negativo em 3,5 mil empregos entre janeiro e junho. Atividades do comércio atacadista e empresas ligadas à venda de veículos ajudaram a compensar parte das perdas provocadas pelo varejo. O próprio Ministério do Trabalho aponta o comércio como o único dos cinco grandes setores econômicos a apresentar saldo negativo no acumulado do primeiro semestre.
A diferença em relação ao restante do mercado de trabalho é expressiva. Serviços, construção, indústria e agropecuária terminaram o período com saldo positivo. No total, foram 921.645 novos empregos formais no país entre janeiro e junho.
Juros e mudanças no consumo pressionam o varejo
Economistas apontam uma combinação de fatores para explicar a retração. O custo elevado do crédito e o endividamento das famílias reduzem o espaço disponível para compras, enquanto as apostas online passaram a disputar parte da renda destinada ao consumo.
A taxa de juros cobrada de pessoas físicas em operações com recursos livres chegou a 64% ao ano em junho, ante 59,4% um ano antes. Ao mesmo tempo, o avanço do comércio eletrônico vem alterando os hábitos de consumo e aumentando a pressão sobre as lojas físicas.
O cenário aparece justamente em segmentos mais dependentes das compras presenciais. Vestuário, acessórios e calçados, que juntos concentraram mais de 42 mil postos eliminados, foram os principais responsáveis pelo resultado negativo do varejo.
Casas Bahia amplia impacto sobre o mercado
A crise também atingiu grandes redes do setor. A Casas Bahia anunciou cerca de 3 mil demissões e o fechamento de 298 lojas depois de pedir recuperação judicial no domingo, dia 16.
A situação da empresa ocorre em um ambiente de maior pressão financeira para o varejo, marcado pelo custo elevado dos juros e pela necessidade de adaptação às novas formas de consumo. O desempenho negativo do comércio varejista, portanto, contrasta com a geração de empregos observada no conjunto da economia brasileira durante o primeiro semestre.
Os números do Caged mostram que o mercado formal continua criando postos de trabalho em outras áreas, mas o varejo atravessa uma trajetória diferente. Para o segmento, os primeiros seis meses de 2026 marcaram uma das retrações mais fortes na geração de empregos desde a pandemia.
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