No mesmo dia em que a Polícia Federal aprofundava as suspeitas sobre seu filho, Lula telefonou para Donald Trump. A conversa durou uma hora e vinte minutos e foi descrita pelo Planalto como amistosa e cordial. O presidente classificou como infundadas as justificativas do tarifaço, defendeu a volta à mesa de negociação e ouviu de Trump a disposição de reabrir as conversas comerciais.
O timing não é casual. Enquanto a revelação da Folha sobre a atuação de Lulinha em comunhão de interesses econômicos ocupa o noticiário, o Planalto recoloca no centro a pauta em que Lula vinha ganhando, a da soberania diante dos Estados Unidos. Foi o enfrentamento ao tarifaço, com a Lei de Reciprocidade, que ajudou o presidente a crescer entre os eleitores de centro nas últimas aferições da Quaest.
O movimento sugere uma tentativa de retomar o protagonismo do tema que o favorece e de deslocar a atenção do desgaste com as investigações. Datafolha nesta sexta e Quaest na segunda dirão se a conta fecha.


