InícioAmazôniaMeio AmbienteEstudo aponta aumento da aridez no Brasil e identifica deserto na Bahia

Estudo aponta aumento da aridez no Brasil e identifica deserto na Bahia

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Um estudo conduzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) revelou uma área de 5,7 mil quilômetros com características de deserto no norte da Bahia, marcando a primeira identificação dessa condição no país. Os pesquisadores, vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), também constataram que a área com clima semiárido vem se expandindo.

Resultados

Os resultados, divulgados por meio de uma nota técnica na última terça-feira (14), apontam que, com exceção da região Sul e do litoral dos Estados de Rio de Janeiro e São Paulo, há uma tendência de aumento da aridez em todo o território brasileiro. Os especialistas associam esse fenômeno ao aquecimento global, destacando que o clima mais quente está relacionado ao aumento da evapotranspiração, que é a combinação de evaporação da água no solo e transpiração pelas plantas. Na região Sul, observa-se uma tendência inversa, correlacionada ao aumento das chuvas.

A metodologia utilizada para avaliar a aridez baseou-se em um índice reconhecido internacionalmente. Esse índice é calculado pela divisão dos valores de precipitação pela evapotranspiração potencial de cada região. Nas regiões mais secas, onde há um déficit de chuvas, essa razão fica abaixo de 1. Uma região é considerada semiárida se o resultado estiver entre 0,21 e 0,5 e árida se ficar abaixo de 0,2.

Agropecuária no solo semiárido

A nota técnica destaca que em áreas com índice de aridez crítico, a escassez de água favorece a ocorrência de queimadas e pode afetar de maneira severa a agricultura e a pecuária. Em condições não sustentáveis de uso do solo, processos de desertificação podem ocorrer a longo prazo.

O diagnóstico elaborado pelo Inpe e pelo Cemaden fornecerá subsídios para a Política Nacional de Combate à Desertificação, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente. A análise abrangeu dados coletados entre 1960 e 2020, divididos em períodos de 30 anos. Observou-se que, a cada década, as áreas do semiárido brasileiro crescem a uma taxa média superior a 75 mil quilômetros quadrados, concentrando-se principalmente no Nordeste e no norte de Minas Gerais.

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