O cenário político em Brasília ganhou novos contornos nesta segunda-feira, 9 de março. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) confirmou que obteve o apoio necessário para avançar com o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI do Banco Master. O objetivo do colegiado é investigar as condutas dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em virtude de supostas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
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Até o momento, o requerimento conta com 29 assinaturas, superando o mínimo de 27 exigido pelo regimento interno do Senado. De acordo com o senador Alessandro Vieira, a coleta de apoios deve continuar nos próximos dias. A intenção é protocolar o documento com uma margem de segurança maior, evitando que eventuais retiradas de nomes inviabilizem a instalação da comissão.
Entenda as suspeitas que motivaram a comissão
O pedido de investigação fundamenta-se em mensagens extraídas do aparelho celular de Daniel Vorcaro. Os dados sugerem uma proximidade atípica entre o banqueiro e integrantes da Suprema Corte. No caso de Alexandre de Moraes, as conversas indicam que o empresário prestava contas sobre negociações de venda da instituição financeira e consultava o magistrado sobre a organização de eventos jurídicos internacionais.
Outro ponto de atenção na CPI do Banco Master envolve o ministro Dias Toffoli. Investigações preliminares apontam que um empreendimento pertencente a familiares do magistrado possui ligações com fundos de investimento associados ao banco de Vorcaro. Alessandro Vieira defende que a apuração é fundamental para que as instituições brasileiras recuperem a credibilidade perante a sociedade, assegurando que todos os cidadãos, independentemente do cargo, estejam sujeitos ao rigor da legislação vigente.
Pressão política e pedidos de impeachment
A movimentação no Senado ocorre em paralelo a uma ofensiva jurídica no campo dos impedimentos. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, protocolou também nesta segunda-feira um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. Este já representa o décimo requerimento do tipo contra ministros do STF apenas no decorrer deste ano.
A oposição tem sido a principal articuladora dessas medidas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adicionou sua assinatura ao pedido da CPI após a meta mínima ter sido atingida, ocupando a 29ª posição na lista. Na terça-feira, 10 de março, espera-se que o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), apresente o 11º pedido de impeachment, mantendo o foco nas relações entre os magistrados e as atividades financeiras do grupo de Vorcaro.
Trâmite e competência do Senado Federal
Apesar do número de assinaturas alcançado, a abertura efetiva da investigação depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Pela Constituição Federal, cabe exclusivamente à Mesa Diretora do Senado analisar a viabilidade e determinar o início de processos de impeachment ou a instalação de CPIs que envolvam ministros do Supremo.
As denúncias que sustentam os pedidos incluem o uso de recursos de visualização única em aplicativos de mensagens para manter o sigilo de diálogos, além de contratos milionários entre o Banco Master e escritórios de advocacia ligados a familiares dos ministros.
Lista de senadores que assinaram o pedido da CPI
Confira abaixo a relação dos 29 parlamentares que apoiaram formalmente a abertura da investigação até a tarde desta segunda-feira:
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Alessandro Vieira (MDB-SE)
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Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
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Eduardo Girão (Novo-CE)
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Magno Malta (PL-ES)
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Luis Carlos Heinze (PP-RS)
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Sergio Moro (União-PR)
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Esperidião Amin (PP-SC)
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Carlos Portinho (PL-RJ)
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Styvenson Valentim (PSDB-RN)
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Marcio Bittar (PL-AC)
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Plínio Valério (PSDB-AM)
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Jaime Bagattoli (PL-RO)
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Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)
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Damares Alves (Republicanos-DF)
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Cleitinho (Republicanos-MG)
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Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
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Vanderlan Cardoso (PSD-GO)
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Jorge Kajuru (PSB-GO)
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Margareth Buzetti (PP-MT)
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Alan Rick (Republicanos-AC)
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Wilder Morais (PL-GO)
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Izalci Lucas (PL-DF)
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Mara Gabrilli (PSD-SP)
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Marcos do Val (Podemos-ES)
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Rogério Marinho (PL-RN)
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Flávio Arns (PSB-PR)
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Laércio Oliveira (PP-SE)
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Dr. Hian (PP-RR)
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Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
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