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IA no diagnóstico médico ajuda jovem a descobrir doença rara após anos de diagnósticos errados

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A inteligência artificial está transformando a forma como pacientes buscam respostas para sintomas persistentes. Em Cardiff, no País de Gales, a jovem Phoebe Tesoriere, de 23 anos, utilizou o ChatGPT para identificar uma condição de saúde que os médicos não conseguiram diagnosticar durante anos. Após enfrentar uma série de laudos equivocados, que incluíam ansiedade, depressão e epilepsia, a britânica encontrou na tecnologia o caminho para a descoberta da paraplegia espástica hereditária, uma doença neurológica rara que afeta a coordenação motora.

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O caso ganhou repercussão após Phoebe relatar que sua trajetória no sistema de saúde foi marcada pela sensação de isolamento. Desde a infância, ela apresentava dificuldades para caminhar e problemas de equilíbrio. Apesar de ter passado por cirurgias no quadril quando bebê e ser testada para dispraxia, os diagnósticos conclusivos nunca chegavam. A situação agravou-se aos 19 anos, quando uma convulsão no ambiente de trabalho foi atribuída pelos médicos a quadros de ansiedade, ignorando o histórico de uma jovem que se descrevia como vibrante e sem antecedentes de transtornos mentais.

O papel da IA no diagnóstico médico e a jornada de Phoebe

A virada na história de Phoebe ocorreu após um episódio crítico em julho de 2025, quando uma convulsão severa a deixou em coma por três dias. Ao recobrar a consciência, a insistência médica em diagnosticar seus sintomas como psicossomáticos a levou a buscar auxílio em ferramentas digitais. Ao inserir seu histórico detalhado no chatbot, a plataforma sugeriu uma lista de patologias compatíveis, entre elas a paraplegia espástica hereditária.

Munida dessa informação, a paciente consultou seu clínico geral, que considerou a hipótese plausível e encaminhou Phoebe para exames genéticos. O resultado confirmou exatamente o que a ferramenta de tecnologia havia indicado. Atualmente, a jovem utiliza cadeira de rodas e precisou deixar a carreira de professora, mas canaliza sua experiência para um mestrado em psicologia, visando auxiliar outras pessoas em situações similares.

Desafios e segurança no uso de ferramentas tecnológicas na saúde

Embora o desfecho de Phoebe tenha sido positivo, especialistas alertam para os riscos do uso indiscriminado da inteligência artificial para fins medicinais. Um estudo recente da Universidade de Oxford indicou que os chatbots podem fornecer tanto orientações precisas quanto conselhos imprecisos ou inconsistentes, o que dificulta a triagem por parte do usuário leigo.

A médica Rebeccah Tomlinson, que atua na região de Cardiff, ressalta que a pressão sobre os sistemas públicos de saúde, como o NHS, torna o conhecimento médico vasto um desafio constante. Segundo ela, as ferramentas de auxílio digital podem servir como um ponto de partida útil para organizar os pensamentos do paciente, mas jamais devem substituir a consulta profissional. O atendimento ideal, defende a clínica, deve ser uma via de mão dupla onde o médico esteja aberto às informações trazidas pelo paciente.

Em resposta ao caso, o Conselho de Saúde da Universidade de Cardiff e Vale lamentou a experiência de Phoebe e colocou sua equipe de relacionamento à disposição para discutir o atendimento recebido. Enquanto empresas como a OpenAI lançam funções específicas para análise de registros de saúde, o debate sobre privacidade de dados e a precisão dos algoritmos permanece no centro das atenções da comunidade científica e dos órgãos de defesa do paciente.

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