Diretor-geral cita “princípio da reciprocidade” e nega expulsão de servidor americano no Brasil
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (22) que a instituição retirou as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da corporação, em Brasília. A decisão, segundo ele, foi baseada no princípio da reciprocidade, após o governo do presidente Donald Trump determinar a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho do território norte-americano.
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De acordo com Rodrigues, a medida segue práticas comuns nas relações internacionais e entre agências de segurança. “À medida que uma agência retira as credenciais do meu policial, eu retiro as credenciais do policial norte-americano que está aqui”, declarou em entrevista à GloboNews. O diretor-geral também destacou que a decisão foi tomada com pesar e manifestou expectativa de retomada do diálogo entre os países.
Reciprocidade nas relações internacionais
Rodrigues enfatizou que o episódio deve ser analisado fora de interpretações distorcidas. Segundo ele, o princípio da reciprocidade é amplamente adotado em acordos internacionais e rege a atuação entre instituições policiais de diferentes países. Ele também afirmou que a retirada das credenciais não implica expulsão do agente americano do Brasil.
“Tanto o Marcelo Ivo não foi expulso dos Estados Unidos, como nós não vamos expulsar ninguém do Brasil. Não é nosso papel”, disse. O diretor acrescentou que o Itamaraty está conduzindo tratativas diplomáticas para buscar uma solução formal entre as partes.
Contexto envolve caso de Alexandre Ramagem
A decisão ocorre em meio a desdobramentos envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem, que foi detido nos Estados Unidos por agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) no último dia 13, por questões migratórias.
Após a prisão, a Polícia Federal informou que a ação teria ocorrido no âmbito de uma cooperação internacional entre as autoridades brasileiras e norte-americanas. Segundo a corporação, Ramagem era considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelo Supremo Tribunal Federal por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito.
No entanto, a soltura de Ramagem dois dias após a detenção levantou questionamentos sobre a natureza dessa cooperação. Aliados do ex-parlamentar afirmam que o delegado Marcelo Ivo de Carvalho teria tentado contornar um pedido de extradição em andamento para efetuar a prisão em solo americano.
Reação dos Estados Unidos
Em resposta, o Departamento de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou a retirada do servidor brasileiro, sem mencioná-lo nominalmente. Em nota divulgada pela embaixada norte-americana no Brasil, o órgão afirmou que “nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição”.
O texto também menciona a tentativa de prolongar o que foi descrito como “caças às bruxas políticas” em território americano, justificando o pedido para que o funcionário brasileiro deixasse o país.
Situação migratória e desdobramentos
Alexandre Ramagem deixou o Brasil em setembro de 2025 de forma considerada clandestina. Posteriormente, teve o passaporte diplomático após a cassação de seu mandato pela Câmara dos Deputados, em dezembro do mesmo ano.
O caso segue gerando repercussões tanto no campo policial quanto diplomático, envolvendo questões de cooperação internacional, extradição e limites de atuação de autoridades estrangeiras em diferentes jurisdições. Enquanto isso, representantes brasileiros e norte-americanos mantêm contatos em busca de uma solução que restabeleça a normalidade nas relações institucionais.
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