A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), anunciou o aporte de recursos para a estruturação da cadeia produtiva da malva na Amazônia. O projeto, que visa transformar a atividade de extração realizada por comunidades ribeirinhas, busca introduzir novas tecnologias para elevar a produtividade, mitigar os riscos do trabalho de campo e conferir maior valor agregado à fibra vegetal nativa da região.
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A iniciativa partiu de uma proposta da Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), organização que atua há quatro décadas no estado do Pará com o beneficiamento de juta. O plano agora é aplicar a experiência acumulada para fortalecer o cultivo da malva, uma planta cujo potencial econômico e sustentável começa a atrair a atenção do mercado global de tecidos finos.
O desafio da modernização na produção de malva
A cadeia produtiva da malva na região amazônica historicamente enfrenta obstáculos estruturais que limitam o seu crescimento. De acordo com a avaliação da superintendência de Cadeias Agroindustriais e Defesa da Finep, o setor carece de tecnificação em praticamente todas as suas etapas, desde o momento do plantio até a fase final de beneficiamento das fibras.
Atualmente, o cultivo é realizado de forma essencialmente artesanal em áreas de várzea. Os agricultores lançam as sementes nos leitos dos rios durante o período de vazante e realizam a colheita assim que as águas começam a subir. O processo de manejo exige que as plantas sejam cortadas, reunidas em feixes e submersas por cerca de dez dias para o amolecimento. Posteriormente, a secagem é feita em varais rústicos.
Essa ausência de infraestrutura apropriada para o transporte, secagem, prensagem e armazenamento gera perdas financeiras significativas e expõe as famílias produtoras a riscos operacionais. Além disso, a comercialização do produto final ainda é restrita, concentrada em poucos compradores no mercado nacional.
Da sacaria agrícola à moda internacional
Tradicionalmente, a fibra da malva possui aplicação voltada à confecção de sacarias agrícolas, cordas, tapetes e estofamentos. Contudo, o insumo demonstrou sua versatilidade recentemente no cenário internacional. A matéria-prima ganhou visibilidade global após a atriz brasileira Alice Carvalho comparecer à cerimônia do Oscar, nos Estados Unidos, utilizando um vestido confeccionado com um tecido inovador da CTC, que une as propriedades da juta e da malva.
Para expandir essas possibilidades comerciais e refinar a qualidade do material, o projeto aprovado pelo governo federal prevê uma série de ações estratégicas de aprimoramento. Entre as metas estabelecidas estão a realização de pesquisas genéticas para o melhoramento das espécies, o desenvolvimento de maquinários específicos para a colheita e a separação de sementes, e a criação de uma infraestrutura digital voltada para a gestão do cultivo.
O plano contempla ainda o desenho de mecanismos financeiros que viabilizem a produção em larga escala e a consolidação de negócios comunitários piloto. Esses modelos de negócios poderão ser replicados em outros territórios da Amazônia legal, promovendo o desenvolvimento regional.
Parcerias estratégicas e volume de investimentos
O orçamento global destinado ao projeto é de R$ 25,7 milhões. Desse montante, R$ 15,2 milhões (o correspondente a 60% do total) serão repassados pela Finep sob a modalidade de subvenção econômica, recurso em que o Estado compartilha o risco da inovação tecnológica com o setor privado. Os recursos são provenientes do edital Finep Amazônia, focado em Bioeconomia e Desenvolvimento Regional.
A execução das atividades contará com uma rede de cooperação que envolve, além da Companhia Têxtil de Castanhal, três Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs): a Universidade Federal da Amazônia, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA). O consórcio também integra o trabalho conjunto de quatro empresas privadas: Bioverse, Supernova, MGK Equipamentos e LABB41.
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