O empreendedorismo continua atraindo cada vez mais jovens no Brasil, mas uma pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) indica que a idade, por si só, não é o principal fator para construir empresas bem-sucedidas. O estudo aponta que experiência profissional, formação acadêmica e capacidade de inovação têm peso maior na consolidação de negócios sustentáveis, especialmente no universo das startups.
O cenário acompanha uma mudança no mercado de trabalho brasileiro. Dados recentes mostram que o número de empreendedores com até 29 anos cresceu de 3,9 milhões, em 2012, para 4,9 milhões, em 2024. A expansão reflete o interesse crescente de muitos jovens em criar o próprio negócio antes mesmo de conquistar o primeiro emprego formal.
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Embora histórias de fundadores bem-sucedidos com pouco mais de 20 anos ganhem destaque com frequência, os pesquisadores observam que a realidade é mais complexa. O levantamento publicado pela UERJ conclui que os fundadores com maiores chances de alcançar resultados consistentes costumam ter mais de 40 anos, reunindo bagagem profissional, maior capacidade de execução e disposição para assumir riscos de forma planejada.
Empreendedorismo exige preparo além da iniciativa
A pesquisa também destaca que o sucesso empresarial está fortemente associado à experiência adquirida em outras organizações antes da abertura do próprio negócio. Segundo os autores, essa vivência favorece decisões mais estratégicas e amplia a capacidade de identificar oportunidades de mercado.
Outro fator apontado como decisivo é a formação acadêmica. O crescimento da escolaridade entre os empreendedores brasileiros reforça essa tendência. Levantamento do Sebrae mostra que a participação de empresários com ensino médio completo passou de 33% para 47% em pouco mais de uma década. Além disso, 17% dos jovens empreendedores já concluíram o ensino superior.
No caso específico das startups analisadas pela pesquisa da UERJ, os números são ainda mais expressivos. Cerca de 70% dos fundadores de empresas consideradas bem-sucedidas possuem pós-graduação. Para os pesquisadores, o conhecimento formal aumenta a confiança para identificar oportunidades e ajuda a estruturar processos de gestão capazes de sustentar o crescimento do negócio.
Design estratégico impulsiona inovação
O estudo também chama atenção para um aspecto que costuma ser reduzido apenas à identidade visual das empresas. Na avaliação dos pesquisadores, o design exerce um papel estratégico na construção de soluções inovadoras e na compreensão das necessidades dos consumidores.
A pesquisa destaca a utilização do Design Thinking como ferramenta para organizar processos criativos e colaborativos voltados à solução de problemas reais. Essa abordagem contribui para o desenvolvimento de produtos e serviços alinhados às demandas do mercado, fortalecendo a capacidade de inovação das empresas.
Os pesquisadores afirmam que o design deixa de ser apenas um elemento estético para se tornar parte da estratégia de gestão, influenciando decisões e aumentando a competitividade dos empreendimentos.
Aprender continuamente faz diferença
Outro ponto destacado pela pesquisa é a importância do aprendizado permanente. Durante uma palestra realizada em 2024, a professora da UERJ e assessora da diretoria de Tecnologia da Faperj, Renata Angeli, afirmou que a troca constante de experiências e informações é essencial para quem está iniciando um negócio.
Essa visão está alinhada ao conceito de meta-aprendizado apresentado no estudo, definido como a capacidade de desenvolver continuamente novas competências e adaptar-se às mudanças.
Segundo os pesquisadores, programas de aceleração de startups contribuem diretamente para esse processo ao oferecer ambiente favorável para experimentação e desenvolvimento de ideias.
O estudo também sugere que universidades ampliem o ensino de competências como liderança, autonomia e gestão da inovação, preparando futuros empreendedores para enfrentar desafios, lidar com fracassos e transformar experiências em aprendizado.
Ao reunir dados sobre escolaridade, experiência profissional e gestão do design, a pesquisa conclui que o crescimento do empreendedorismo entre os jovens representa uma oportunidade importante para a economia brasileira. No entanto, transformar uma boa ideia em um negócio escalável depende da combinação entre conhecimento, preparo técnico e capacidade de adaptação, independentemente da idade do empreendedor.
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