Popular ex-prefeito da Grande Manchester, trabalhista assume o governo britânico após a saída de Keir Starmer e promete restaurar a confiança da população em meio à crise política, econômica e social.
O trabalhista Andy Burnham assumiu nesta segunda-feira (20) o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, substituindo Keir Starmer na chefia do governo britânico. Aos 56 anos, o novo premiê chega ao poder em um momento de grandes desafios, marcado por dificuldades econômicas, instabilidade política e pressão sobre o custo de vida da população.
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A mudança na liderança acontece apenas dois anos após a expressiva vitória eleitoral do Partido Trabalhista, que encerrou 14 anos de governos conservadores. Depois de receber do rei Charles III a missão de formar um novo governo, Burnham iniciou seus primeiros compromissos oficiais na residência oficial do primeiro-ministro, em Downing Street.
Em entrevista ao jornal The Times, publicada no domingo (19), Burnham afirmou que pretende encerrar um ciclo de turbulências iniciado com o referendo do Brexit. Segundo ele, o país precisa adotar uma nova direção para recuperar a confiança da população.
“O que temos feito não tem funcionado. É assim que vejo a situação. Vou tentar fazer as coisas de uma maneira diferente”, declarou.
Andy Burnham assume o governo em meio a desafios
Burnham torna-se o sétimo primeiro-ministro britânico desde o referendo que levou à saída do Reino Unido da União Europeia. Ao longo desse período, o país enfrentou sucessivas mudanças de liderança, desaceleração econômica e perda de influência internacional.
De acordo com sua equipe, as prioridades do novo governo incluem restaurar a confiança nas instituições, estimular o crescimento econômico e ampliar a descentralização de poder para comunidades regionais. A resposta à crise do custo de vida também figura entre os principais objetivos da nova gestão.
O caminho até Downing Street foi aberto após a renúncia de Keir Starmer, ocorrida no mês anterior em meio à crescente pressão interna dentro do Partido Trabalhista. Pouco antes disso, Burnham havia conquistado uma cadeira no Parlamento ao vencer a eleição no distrito de Makerfield, condição necessária para disputar a liderança da legenda.
Após a vitória eleitoral, em junho, o novo premiê afirmou que pretende devolver esperança aos britânicos.
“Todos sentem que o país não está onde deveria estar. Darei tudo de mim para garantir que o nome Makerfield seja para sempre sinônimo de promover a mudança que este país precisa, e de trazer de volta algo que perdemos: esperança, esperança no futuro.”
Carreira política consolidada
Andy Burnham construiu uma trajetória de mais de duas décadas na política britânica. Ele foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Comuns em 2001 e integrou os governos trabalhistas de Tony Blair e Gordon Brown, ocupando cargos nos ministérios do Interior, do Tesouro, da Cultura e da Saúde.
Depois de disputar sem sucesso a liderança do Partido Trabalhista em 2010 e 2015, deixou Londres para assumir, em 2017, o cargo de prefeito da Grande Manchester. Na função, foi reeleito duas vezes e consolidou sua popularidade ao defender maior autonomia regional e investimentos em serviços públicos.
Durante a pandemia de covid-19, ganhou projeção nacional ao confrontar o então primeiro-ministro Boris Johnson na defesa de mais recursos para trabalhadores e empresas afetados pelas restrições sanitárias. A postura firme lhe rendeu o apelido de “Rei do Norte”.
Entre suas principais realizações na administração de Manchester estão a ampliação do transporte público acessível, investimentos em habitação e iniciativas voltadas à saúde pública. Burnham também é crítico do Brexit e costuma defender um modelo que define como “socialismo em prol dos negócios”.
Das origens no norte da Inglaterra ao comando do Reino Unido
Nascido em 1970, em Aintree, próximo a Liverpool, Burnham cresceu em Culcheth, em uma família de classe trabalhadora. Seu pai atuava como técnico em comunicações e sua mãe era auxiliar de enfermagem.
Aos 14 anos, influenciado pela greve dos mineiros de 1984 e 1985, filiou-se ao Partido Trabalhista. Mais tarde, estudou inglês na Universidade de Cambridge, período em que relatou ter enfrentado dificuldades para se adaptar ao ambiente acadêmico.
Na juventude participou do movimento cultural Madchester e permanece torcedor do Everton FC. Casado com uma holandesa, é pai de três filhos e carrega no braço direito uma tatuagem de uma abelha operária, símbolo adotado por Manchester após o atentado terrorista de 2017.
Atualmente, Burnham é considerado um dos políticos mais populares do Reino Unido e assume o governo sob a expectativa de recuperar a confiança dos eleitores e enfrentar o avanço do partido Reform UK.
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