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EUA vão anunciar novas tarifas para 60 países nos próximos dias

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Medidas comerciais podem atingir o Brasil e elevar em até 12,5% a cobrança sobre produtos de economias acusadas de não combater adequadamente o trabalho forçado.

Os Estados Unidos devem anunciar novas tarifas contra aproximadamente 60 países nos próximos dias, incluindo o Brasil. As medidas podem alcançar alguns dos principais parceiros comerciais norte-americanos e terão como justificativa falhas no combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

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A informação foi divulgada nesta terça-feira (21) pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em entrevista à CNBC. Segundo ele, as primeiras ações devem ser apresentadas em breve, após a conclusão de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.

O órgão abriu, em 12 de março, investigações contra 60 economias para avaliar se os governos adotam e aplicam proibições à importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Em junho, o USTR concluiu que as práticas dos países investigados poderiam ser enquadradas como prejudiciais ao comércio norte-americano.

“Os Estados Unidos têm leis que proíbem o comércio de bens produzidos com trabalho forçado. A maioria dos outros países não possui tais leis, e aqueles que as possuem não as aplicam de fato. Esperamos ver algumas ações em breve”, disse Greer.

Novas tarifas podem chegar a 12,5%

As novas tarifas poderão substituir a cobrança temporária de 10% aplicada pelo presidente Donald Trump após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar parte das sobretaxas adotadas pelo governo no ano passado.

A decisão da Corte não atingiu as tarifas específicas para setores como o automotivo, siderúrgico, de alumínio e de cobre. Depois do julgamento, Trump adotou novas medidas comerciais com base em outra legislação, que permite a aplicação das sobretaxas por um período máximo de 150 dias.

Paralelamente, o USTR iniciou investigações baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Esse mecanismo permite que o governo norte-americano responda a práticas estrangeiras consideradas injustificáveis, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos.

No início de junho, Jamieson Greer propôs a aplicação de tarifas de 12,5% sobre produtos de cerca de 45 países que, segundo o USTR, não proíbem a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Para economias que possuem essas proibições, mas cuja fiscalização é considerada insuficiente por Washington, a proposta prevê uma tarifa de 10%. Nesse grupo estão Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão.

O Reino Unido também poderá receber a cobrança de 10%, uma vez que a proibição adotada pelo país é considerada parcial pelo governo norte-americano.

Brasil está entre os países investigados

No caso brasileiro, os Estados Unidos avaliam aplicar uma sobretaxa de 12,5% sob a acusação de que o país importa mercadorias fabricadas em outras nações com o uso de trabalho forçado.

O governo brasileiro respondeu às acusações em junho. Na manifestação enviada às autoridades norte-americanas, o Brasil apresentou a legislação nacional de combate ao trabalho escravo, as ações de fiscalização realizadas no país e os acordos internacionais dos quais é signatário para coibir a prática.

A possível nova cobrança seria somada ao tarifaço de 25% aplicado pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros. O USTR oficializou a medida em 15 de julho, após concluir uma investigação sobre políticas e práticas comerciais do Brasil.

Washington afirma que determinadas políticas brasileiras restringiram a entrada de produtos norte-americanos em um dos principais mercados de exportação dos Estados Unidos.

Canadá recebe sobretaxa adicional

O governo Trump também anunciou uma sobretaxa adicional de 50% contra o Canadá. A cobrança deverá entrar em vigor dentro de um mês e foi apresentada como resposta ao tratamento dado pelo país a produtos norte-americanos.

Segundo Jamieson Greer, a medida foi adotada em reação às tarifas estabelecidas por Ottawa após as primeiras sobretaxas impostas pelos Estados Unidos em 2025.

“Há um ano pedimos ao Canadá que as retire, que as modifique, que as ajuste”, afirmou o representante comercial.

As novas medidas fazem parte da estratégia comercial do governo Trump para ampliar a pressão sobre parceiros econômicos e substituir tarifas temporárias por cobranças sustentadas em investigações conduzidas pela legislação comercial norte-americana.

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