Mais de 150 mil pessoas receberam ordens para buscar abrigos de emergência após um forte abalo sísmico atingir a cidade costeira de Kumamoto, localizada na ilha de Kyushu, no sul do país. O tremor deixou feridos, provocou incêndios e causou o colapso de estruturas urbanas e industriais, além de deixar pessoas presas em um centro comercial da região.
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A primeira-ministra Sanae Takaichi confirmou que o terremoto no Japão causou estragos graves e deixou vítimas com ferimentos de diversas gravidades. Entre as ocorrências mais urgentes está a situação em um shopping center da rede Aeon, em Kumamoto, onde desabamentos e relatos de uma explosão deixaram visitantes e funcionários retidos. Cerca de 30 trabalhadores do estabelecimento permanecem desaparecidos.

Equipes de resgate também buscam por operários de uma fábrica de papel local, que teve uma de suas chaminés destruída pelo impacto das vibrações. Imagens capturadas pela agência de notícias Reuters mostram a queda de uma passarela na cidade, embora a circulação de veículos siga normal em uma ponte paralela e a contagem exata de atingidos no local ainda esteja sob apuração.

Danos operacionais, riscos de novos abalos e monitoramento global
A extensão total das perdas materiais e humanas permanece incerta enquanto o governo monitora a evolução do cenário. A principal preocupação das autoridades locais é a possibilidade de um segundo grande abalo sísmico. Há dez anos, a mesma ilha foi devastada por uma sequência de tremores na qual o segundo impacto apresentou intensidade superior ao primeiro, resultando em mais de 200 mortes. Por essa razão, a orientação oficial é que a população acompanhe as transmissões de rádio e televisão para atender prontamente a eventuais ordens de desocupação.

O impacto do desastre repercute no ambiente internacional. Entidades globais como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) declararam que estão monitorando de perto o impacto do tremor sobre os complexos atômicos locais. No plano diplomático, o envio de suporte humanitário estrangeiro ainda não foi oficializado, já que a estrutura interna de defesa civil e socorro do país possui autonomia para conduzir as operações iniciais. Qualquer apoio oferecido por nações vizinhas ou aliadas será dimensionado conforme a real gravidade dos prejuízos apurados nas próximas horas.
A emissora pública japonesa NHK registrou o atendimento a mais de 50 feridos e transmitiu imagens ao vivo de edifícios em chamas e estruturas parcialmente destruídas. Apesar de milhares de residências ficarem sem fornecimento de energia elétrica, a operadora energética da ilha informou que as usinas nucleares de Sendai e Genkai operam dentro da normalidade, sem irregularidades identificadas.
O setor produtivo e de transportes sofreu paralisações imediatas. Gigantes da tecnologia instaladas na região, como a fabricante de chips TSMC, a Sony e a Fujifilm, evacuaram suas instalações por precaução. Os serviços ferroviários regionais foram totalmente suspensos após o evento.
Entenda o tremor e o impacto nas conexões do país
A agência meteorológica do país contabilizou 61 réplicas após o abalo inicial desta segunda-feira, com variações de intensidade entre 1 e 6 na escala japonesa. Diferente da escala de magnitude, que calcula a energia total liberada, o sistema próprio do Japão mede a força sentida no solo em cada localidade, variando de 0 (imperceptível) a 7 (nível em que edifícios de baixa resistência colapsam e móveis são arremessados). Como parâmetro histórico, a sequência de tremores registrada em Kumamoto no ano de 2016 atingiu intensidade 7 durante dois dias, deixando mais de 40 mortos e mil feridos.
Embora o alerta de tsunami emitido logo após o primeiro abalo já tenha sido descartado pelas autoridades marítimas, os reflexos da emergência alcançaram a infraestrutura nacional. O Aeroporto de Tóquio-Haneda, localizado a mais de 800 quilômetros do epicentro, registrou ao menos 40 atrasos e cancelamentos de voos, afetando rotas regionais e conexões internas.
A ilha de Kyushu é a terceira maior do arquipélago japonês, que não possui massa continental e é formado por quatro ilhas principais (Honshu, Hokkaido, Shikoku e Kyushu), além de milhares de ilhas menores. O governo reforça o pedido para que moradores e passageiros verifiquem a situação de trajetos e serviços antes de realizarem deslocamentos.
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