Nova presidente promete reforço no combate à criminalidade, investimentos em infraestrutura e medidas urgentes para enfrentar eventos climáticos extremos
Keiko Fujimori assumiu oficialmente a Presidência do Peru nesta terça-feira (28), durante sessão solene realizada no Congresso do país, marcando o retorno da direita ao comando do Executivo peruano após mais de duas décadas. A cerimônia contou com a presença de chefes de Estado, autoridades internacionais e representantes de diversos países.
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Em seu primeiro discurso como presidente, Keiko afirmou que as prioridades de sua gestão serão o fortalecimento da segurança pública e a adoção de medidas para reduzir os impactos das mudanças climáticas, especialmente diante dos efeitos do fenômeno El Niño.
Keiko Fujimori promete endurecer combate à criminalidade
Durante a cerimônia de posse, a presidente anunciou que as Forças Armadas passarão a atuar temporariamente na liderança das operações de segurança nas regiões com maiores índices de violência, em conjunto com a Polícia Nacional do Peru.
Segundo Keiko, o governo também investirá na modernização da segurança pública por meio da tecnologia. Entre as medidas anunciadas estão a criação de um sistema nacional de videomonitoramento, plataformas de inteligência artificial para antecipar e mapear crimes e novos centros de comando destinados à coordenação das operações de segurança em todo o país.
Governo anuncia ações contra os impactos do El Niño
Ao abordar a questão climática, Keiko Fujimori afirmou que o governo adotará medidas emergenciais para minimizar os efeitos do fenômeno El Niño, considerado uma das principais ameaças ao país nos próximos meses.
A presidente informou que pretende editar decretos de urgência e solicitar ao Congresso poderes especiais para acelerar a implementação das ações.
“Para enfrentar os desafios urgentes trazidos pelo fenômeno El Niño, emitiremos decretos de urgência e solicitaremos ao Congresso faculdades delegadas”, declarou.
Entre os investimentos previstos estão obras de infraestrutura voltadas à prevenção de desastres naturais, incluindo construção de barragens, diques, poços, canais de irrigação, estações de bombeamento, sistemas de abastecimento de água e ampliação da malha rodoviária peruana.
Retorno da família Fujimori ao poder após 26 anos
A posse representa o retorno do sobrenome Fujimori à Casa de Pizarro, sede do Executivo peruano, após 26 anos.
Keiko venceu o segundo turno das eleições presidenciais contra Roberto Sánchez. A votação ocorreu em 7 de junho, mas o resultado oficial foi confirmado apenas em 3 de julho, após uma apuração apertada que terminou com diferença de 49.641 votos entre os candidatos.
Esta foi a quarta disputa presidencial de Keiko Fujimori e a primeira em que conseguiu conquistar a Presidência. Nas três eleições anteriores, ela havia sido derrotada por margens reduzidas.
Após o anúncio do resultado, Roberto Sánchez informou que não reconheceria a vitória da adversária e afirmou que pretende recorrer a instâncias internacionais.
Durante seus pronunciamentos após a eleição, Keiko tem defendido a união nacional diante da polarização política vivida pelo Peru.
Líderes internacionais participam da cerimônia
A posse reuniu diversas autoridades estrangeiras em Lima. Entre os convidados esteve o presidente da Argentina, Javier Milei, que também participou recentemente da convenção do Partido Liberal (PL), no Brasil, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Em discurso realizado em São Paulo, Milei voltou a mencionar o avanço da chamada “onda azul” na América do Sul, fazendo referência ao fortalecimento de governos de direita na região, incluindo o Peru.
Também participaram da cerimônia o rei Felipe VI, da Espanha, além dos presidentes José Antonio Kast (Chile), Rodrigo Paz (Bolívia), Daniel Noboa (Equador), Nasry Asfura (Honduras), José Raúl Mulino (Panamá), Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai).
Os Estados Unidos enviaram uma delegação liderada pelo vice-secretário de Estado, Christopher Landau. Representantes de Japão, China e Marrocos também acompanharam a solenidade.
Novo governo assume país em meio à instabilidade política
Keiko Fujimori assume a Presidência em um cenário de forte instabilidade institucional. Nos últimos anos, o Peru enfrentou sucessivas crises políticas e trocas frequentes de presidentes.
Ela recebeu a faixa presidencial do presidente interino José María Balcázar Zelada, escolhido pelo Congresso para exercer um mandato temporário após a destituição de José Jerí.
No Legislativo, a nova presidente também enfrentará desafios para aprovar projetos. Embora a legenda Força Popular tenha conquistado as maiores bancadas (com 41 deputados e 22 senadores), o partido não possui maioria suficiente, o que exigirá negociações com outras siglas de direita e de centro.
Trajetória política
Aos 51 anos, Keiko Fujimori atua na política desde a juventude, quando passou a acompanhar o pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, em compromissos oficiais.
Formada em Administração de Empresas nos Estados Unidos, foi eleita deputada em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano.
Entre 2018 e 2020, permaneceu presa por cerca de um ano e meio durante investigações sobre suposto financiamento irregular de campanha. O processo acabou sendo posteriormente arquivado.
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