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Guerra política nas redes sociais impulsiona incêndios criminosos na Amazônia, alerta Ibama

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Governo federal investiga possível ação coordenada por trás das queimadas; fiscalização aplicou R$ 2 milhões em multas e embargou 250 hectares no Amazonas

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt, afirmou que uma “guerra política nas redes sociais” pode estar incentivando incêndios criminosos na Amazônia. O governo federal investiga se há uma ação coordenada por trás do aumento das queimadas, especialmente no Amazonas, onde as ocorrências têm provocado fumaça intensa e agravado a qualidade do ar.

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Segundo Schmitt, mobilizações de caráter ideológico nas plataformas digitais podem prejudicar as ações de combate ao fogo. As autoridades investigam se a dinâmica dos incêndios apresenta semelhanças com o episódio conhecido como “Dia do Fogo”, registrado no Pará em 2019.

Fiscalização identifica incêndios criminosos na Amazônia

De acordo com os órgãos ambientais e o Ministério do Meio Ambiente (MMA), praticamente todos os focos identificados têm origem humana. As autoridades apuram indícios de que parte dos incêndios seja provocada deliberadamente para degradar a floresta e consolidar áreas desmatadas destinadas à pecuária.

Durante operações de fiscalização, equipes aéreas flagraram e filmaram pessoas ateando fogo na vegetação às margens de estradas, com o uso de garrafas contendo combustível.

As investigações contam com a participação da Polícia Federal (PF), da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Civil do Amazonas. Mais de 120 procedimentos criminais já foram instaurados para apurar as ocorrências.

Ibama aplica R$ 2 milhões em multas e embarga 250 hectares

O Ibama informou ter aplicado R$ 2 milhões em multas relacionadas a incêndios florestais ilegais na Amazônia, que contribuíram para cobrir Manaus de fumaça nas últimas semanas.

Nos últimos dias de operações na região, os fiscais lavraram 19 autos de infração contra responsáveis pelas queimadas e determinaram o embargo de áreas que somam 250 hectares.

As autuações foram realizadas nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea, na Região Metropolitana de Manaus.

Segundo Jair Schmitt, as equipes estão inspecionando áreas atingidas pelo fogo para identificar os responsáveis. O presidente do instituto afirmou que os incêndios ocorreram sem autorização dos órgãos competentes.

Schmitt também relatou que, em algumas situações, as chamas ultrapassaram cercas e atingiram áreas públicas e propriedades vizinhas.

O trabalho de fiscalização deve continuar nos próximos dias, em uma operação coordenada com órgãos federais e estaduais, com o objetivo de identificar os responsáveis e evitar novos incêndios.

Governo reforça combate às queimadas na Amazônia

Diante do avanço do fogo, o governo federal mobilizou centenas de brigadistas, fiscais ambientais e aeronaves para atuar na região. Ao mesmo tempo, dezenas de municípios permanecem em situação de emergência em razão dos impactos provocados pela fumaça acumulada.

Além das ações de combate direto, as autoridades buscam identificar se existe uma articulação criminosa por trás dos incêndios, com possíveis motivações políticas e econômicas.

A investigação pretende esclarecer a dinâmica das queimadas e determinar se os episódios fazem parte de uma estratégia organizada para ampliar áreas desmatadas.

Amazonas registra aumento de 111% nos focos de incêndio

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o Amazonas registrou mais de 8.177 focos de incêndio entre 1º de janeiro e 18 de outubro de 2026.

O número representa um aumento de 111% em comparação com o mesmo intervalo de 2025. Apesar da alta anual, o total permanece 49% abaixo da média histórica do estado.

No bioma amazônico, foram contabilizados mais de 40.633 focos de incêndio em 2026 até o período considerado. O resultado corresponde a um crescimento de 62% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, mas permanece 47% abaixo da média histórica.

Os números indicam que, embora os registros estejam abaixo das médias históricas, o aumento em relação a 2025 mantém a preocupação das autoridades ambientais, especialmente diante dos impactos das queimadas sobre a floresta, a população e a qualidade do ar em Manaus e em outras localidades da região.

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