Reajuste de 15,04% eleva o valor médio para R$ 777 e alcança cerca de 19 milhões de lares em todo o país.
A Caixa Econômica Federal inicia nesta segunda-feira a liberação da folha de pagamento do Bolsa Família de outubro, já contemplando o reajuste de 15,04% anunciado pelo governo federal. Com a atualização, o piso mínimo pago por família passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio atinge o patamar de R$ 777. Os depósitos seguem um cronograma escalonado baseado no dígito final do Número de Identificação Social (NIS), começando hoje pelos contemplados com NIS final 1. Segundo estimativas oficiais, cerca de 19 milhões de famílias são diretamente beneficiadas pela medida.
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Calendário do Bolsa Família de outubro
Os repasses são efetuados nos dias úteis da segunda quinzena do mês. Veja as datas oficiais de pagamento conforme o último dígito do NIS:
- NIS final 1: 19 de outubro
- NIS final 2: 20 de outubro
- NIS final 3: 21 de outubro
- NIS final 4: 22 de outubro
- NIS final 5: 23 de outubro
- NIS final 6: 26 de outubro
- NIS final 7: 27 de outubro
- NIS final 8: 28 de outubro
- NIS final 9: 29 de outubro
- NIS final 0: 30 de outubro
Estrutura dos benefícios e novos valores
A composição do programa reúne diferentes modalidades de transferência de renda para atender às particularidades de cada núcleo doméstico. Caso o somatório dos repasses individuais não alcance o patamar de R$ 691, o Benefício Complementar é acionado automaticamente para cobrir a diferença.
Com a correção de 15,04%, as parcelas passaram a vigorar com as seguintes quantias:
- Benefício de Renda da Cidadania (BRC): sobe de R$ 142 para R$ 164 por integrante da família;
- Benefício Primeira Infância (BPI): passa de R$ 150 para R$ 173 por criança de zero até sete anos incompletos;
- Benefício Variável Familiar (BVF): vai de R$ 50 para R$ 58 por integrante gestante, nutriz ou dependente entre sete e dezoito anos incompletos;
- Benefício Complementar (BCO): suplementação aplicada para assegurar o piso geral de R$ 691 por família.
Impacto orçamentário e debate econômico
De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o ajuste reflete a recomposição do poder de compra acumulado desde o início de 2023, mecanismo amparado pela legislação vigente. O ministro informou que a iniciativa demandará R$ 5,8 bilhões em recursos em 2026, com impacto projetado de R$ 22 bilhões em 2027. Para o exercício corrente, o governo utilizará sobras orçamentárias identificadas e ganhos fiscais decorrentes do pente-fino cadastral, sem romper o teto de despesas. Em relação a 2027, alterações serão encaminhadas ao Congresso Nacional, também priorizando remanejamentos internos.
Por outro lado, o aumento gera discussões públicas sobre prioridades de gestão social e eficiência fiscal. Especialistas e analistas classificam o movimento como potencialmente populista e de eficácia limitada contra a pobreza estrutural. Além disso, entidades do setor destacam que cerca de 440 mil famílias permanecem na fila de espera para ingressar no programa.
Regras de elegibilidade e critérios de permanência
A concessão do benefício destina-se a famílias com renda mensal de até R$ 218 por pessoa. O enquadramento é verificado somando-se todos os rendimentos do lar e dividindo pelo total de moradores. A título de exemplo, uma casa com oito pessoas sustentada por um salário mínimo (R$ 1.621) registra média individual de R$ 202,62, cumprindo o requisito de renda.
Para manter a regularidade dos repasses, os participantes devem cumprir as chamadas condicionalidades:
- Matrícula e frequência escolar obrigatória de crianças e jovens;
- Acompanhamento do pré-natal para gestantes;
- Atualização rigorosa da caderneta de vacinação de todos os integrantes.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) salienta que as informações no Cadastro Único (CadÚnico) devem ser revisadas a cada 24 meses ou sempre que houver alteração de renda, residência ou composição familiar, sob pena de suspensão do repasse.
Inscrição, movimentação e canais de suporte
O cadastramento no CadÚnico é o passo inicial, realizado presencialmente nos Centros de Referência da Assistência Social (Cras) dos municípios. A inscrição não garante aprovação imediata, servindo como base técnica para avaliação periódica.
Os contemplados podem gerenciar os fundos digitalmente pelo aplicativo Caixa Tem, sem obrigatoriedade de comparecimento a agências bancárias. A plataforma permite pagamentos via cartão de débito virtual, transferências e saques em lotéricas, correspondentes Caixa Aqui e caixas eletrônicos. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo Disque Social 121 (MDS), pela central telefônica 111 (Caixa) ou por meio dos aplicativos oficiais do governo federal.
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