Após entrevista à CNN, empresária afirma que pretende fazer delação premiada; presidente e filho negam acusações, enquanto parlamentares da oposição solicitam proteção para ela e suas filhas
A entrevista da empresária e lobista Roberta Luchsinger, concedida à CNN no último sábado, provocou reações entre integrantes da oposição e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após as declarações, parlamentares oposicionistas solicitaram medidas de proteção para a empresária e suas duas filhas. Lula e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, negaram as acusações.
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Durante a entrevista, Roberta afirmou que Lulinha teria se reunido diversas vezes com ministros do governo federal e contestou declarações do presidente sobre a relação do filho com integrantes do alto escalão. A empresária também declarou que pretende negociar um acordo de delação premiada e que não poupará Lula nem Lulinha em seus relatos.
As declarações foram divulgadas às vésperas do segundo turno das eleições, marcado para o dia 25 de outubro, e ampliaram a repercussão política do caso.
Roberta afirma que Lulinha se reuniu com ministros do governo
Na entrevista à CNN, Roberta Luchsinger declarou que Lulinha esteve em encontros com ministros do governo do pai em diversas ocasiões. Segundo a empresária, o presidente não estaria dizendo a verdade ao afirmar que o filho nunca se reuniu com integrantes do alto escalão do Executivo.
A lobista também afirmou que pretende fazer uma delação premiada e que não pretende poupar o presidente nem o filho. Além disso, disse acreditar que foi utilizada como “boi de piranha” e rebateu as declarações de Lula, que a teria chamado de “pilantra”.
“Ele mente o tempo inteiro. […] Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são pilantras como eu”, afirmou Roberta.
A empresária também declarou que já acreditou e defendeu Lula no passado, inclusive durante o período em que ele esteve preso. Segundo ela, a relação terminou de maneira diferente da que esperava.
“E isso me dói falar, porque eu já acreditei muito nele, defendi muito ele o tempo inteiro, lutei muito por ele quando ele estava, inclusive, preso. E o que eu recebi em troca? Nem um muito obrigada”, disse.
Roberta afirmou ainda que recebeu ofensas e comparações que considerou negativas, citando os termos “pilantra”, “mau caráter”, “falastrona” e “Vorcaro feminino”.
Oposição pede proteção para empresária e filhas
Após a exibição da entrevista, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou ter solicitado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a inclusão de Roberta Luchsinger e de suas duas filhas em um programa de proteção a testemunhas.
O deputado federal Gilberto Silva (PL-PB), apontado no texto original como líder da oposição na Câmara, também declarou ter protocolado pedidos de proteção em diferentes instituições. Segundo ele, a iniciativa busca garantir a segurança da empresária, apresentada pelo parlamentar como uma possível delatora no caso.
“A Oposição não vai esperar o Governo decidir se a vida dela é conveniente”, escreveu o deputado nas redes sociais.
De acordo com o parlamentar, foram enviados ofícios à Polícia Federal (PF), ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República (PGR), com solicitação de proteção imediata.
Ele também afirmou ter apresentado um requerimento de informação ao ministro da Justiça, pedido de convocação do ministro para a Comissão de Segurança Pública e solicitação de audiência pública nas comissões de Direitos Humanos e da Mulher.
Ainda segundo Gilberto Silva, foram encaminhados ofícios à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), ao Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) e ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Se o Estado não proteger, levamos à Comissão Interamericana. Ninguém vai calar uma testemunha neste País”, declarou.
Os pedidos mencionados pelos parlamentares representam iniciativas da oposição para buscar medidas de segurança. A eventual inclusão da empresária em um programa de proteção depende da análise dos órgãos competentes.
Flávio Bolsonaro divulga entrevista nas redes sociais
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, também repercutiu as declarações de Roberta Luchsinger.
Em sua conta no Instagram, o parlamentar publicou trechos da entrevista em que a empresária detalha sua relação com Lulinha. No X, antigo Twitter, ele também impulsionou a hashtag “Fala tudo Roberta”, que entrou entre os assuntos mais comentados da plataforma naquele dia.
A divulgação ampliou o alcance das declarações em meio à disputa política que antecede o segundo turno das eleições.
Lula nega conhecer os fatos relatados pela empresária
Em nota enviada por sua equipe de comunicação, o presidente Lula afirmou desconhecer os fatos apresentados por Roberta Luchsinger.
“Desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger”, diz o comunicado.
A nota acrescenta que Lula já teria esclarecido anteriormente que nunca manteve interlocução com a empresária, não recebeu demandas dela e não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas na entrevista.
“Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta”, acrescenta o texto.
O presidente também questionou o momento em que as declarações foram divulgadas, considerando a proximidade do segundo turno eleitoral.
“Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição”, afirma a nota.
O comunicado cita episódios de eleições anteriores em que denúncias sem comprovação teriam sido utilizadas para influenciar a opinião pública. Segundo a equipe de Lula, a repetição desse tipo de situação seria uma tentativa de tumultuar o processo democrático e interferir na escolha dos eleitores.
Lulinha também nega irregularidades
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também negou ter cometido irregularidades. Segundo o posicionamento apresentado, sua relação com ministros do governo sempre teve natureza pessoal.
O filho do presidente afirmou ainda que as acusações feitas por Roberta Luchsinger são incompatíveis com o depoimento que ela teria prestado às autoridades.
Lulinha declarou que pretende comprovar sua inocência no âmbito dos procedimentos judiciais.
Até o momento, as declarações atribuídas à empresária e as negativas apresentadas pelo presidente e por seu filho devem ser consideradas dentro do contexto de acusações e versões divergentes. A intenção de negociar uma delação premiada, por si só, não comprova as alegações, e a eventual formalização de um acordo depende dos procedimentos legais aplicáveis.
O caso ganhou repercussão política após a entrevista e passou a mobilizar parlamentares da oposição, que cobram medidas de proteção para Roberta Luchsinger e suas filhas, enquanto o presidente e Lulinha contestam publicamente as acusações.
Leia a íntegra da nota abaixo:
Fábio Luís Lula da Silva não cometeu nenhuma irregularidade e teve seus dados bancários, fiscais e telemáticos abertos, colocando-se à disposição da Justiça para colaborar com as investigações desde o primeiro momento. Sua relação com políticos de qualquer natureza, inclusive os que eventualmente se tornaram ministros de Estado, é de natureza pessoal e resultante de seu convívio desde a infância, sem qualquer troca de viés ilegal ou não republicano.
As recentes insinuações públicas de Roberta Luchsinger são incompatíveis com seu depoimento às autoridades. Isso retrata, mais do que qualquer coisa, sua contrariedade tanto em relação às declarações do Presidente da República sobre seu caráter quanto, de forma compreensível, em relação ao incessante ataque resultante de vazamentos criminosos que têm o evidente objetivo de controlar a pauta da imprensa em período eleitoral.
Quanto às investigações abertas, tudo até o momento indica manipulação, direcionamento e pescaria probatória: desde a quebra de sigilo telefônico de Roberta Luchsinger na investigação do INSS, que buscou dados sobre Fábio Luís de anos antes de Roberta sequer conhecer Antônio Camilo, até os reiterados vazamentos ilegais.
Assim como fez em diversas acusações anteriores, inclusive na operação do INSS em que não foi nem sequer indiciado, Fábio Luís comprovará sua inocência nos autos, após ter contato com dados e provas concretas.
*Com informações da CNN Brasil
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