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Smartmatic: o que é a empresa citada por Flávio Bolsonaro e qual a relação com o Brasil

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Empresa multinacional citada em discurso de Flávio Bolsonaro já teve contratos de suporte e transmissão de dados no Brasil, mas TSE esclarece que tecnologia e urnas do país são 100% próprias.

A Smartmatic, empresa de tecnologia eleitoral citada pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um evento com diplomatas estrangeiros, não forneceu urnas eletrônicas nem softwares utilizados nas eleições brasileiras, segundo esclarecimentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Durante o evento, realizado na terça-feira (21/7), em Brasília, Flávio afirmou que parte das máquinas utilizadas nas eleições brasileiras teria a mesma origem da empresa venezuelana e mencionou um relatório da CIA sobre a possibilidade de manipulação de sistemas eleitorais na Venezuela.

“Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”, afirmou o senador.

A declaração foi feita durante o “Debatendo o Brasil”, série de eventos reservados com pré-candidatos e representantes estrangeiros, promovida pela Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report, veículo de notícias em inglês sobre o Brasil. O encontro contou com representantes de quase 50 países e organizações internacionais.

O TSE já desmentiu anteriormente a informação de que as urnas eletrônicas brasileiras seriam produzidas ou desenvolvidas pela Smartmatic. Em nota publicada originalmente em 2020 e republicada recentemente, o tribunal afirmou que a empresa nunca forneceu urnas eletrônicas ou softwares utilizados nas eleições brasileiras.

“Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, informou o TSE.

Smartmatic não forneceu urnas eletrônicas ao Brasil, diz TSE

De acordo com o tribunal, a Smartmatic participou de uma licitação para a fabricação de urnas eletrônicas destinadas às eleições de 2020, mas perdeu a disputa para a empresa Positivo.

A companhia também chegou a atuar no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras. Além disso, firmou contratos com o TSE em outras ocasiões para serviços de conexão de dados e voz.

Segundo o TSE, porém, esses contratos não envolveram o desenvolvimento, a programação ou a operação das urnas eletrônicas brasileiras.

O tribunal reiterou que a Smartmatic “não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos”.

O que é a Smartmatic?

Fundada na Flórida, nos Estados Unidos, em 2000, a Smartmatic tem atualmente sua sede em Londres, na Inglaterra. A empresa atua no desenvolvimento de tecnologias e serviços relacionados a processos eleitorais.

A companhia teve uma atuação significativa nas eleições da Venezuela entre 2004 e 2017, quando prestou serviços ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Segundo informações divulgadas pela própria empresa, os serviços incluíam automação da votação, contagem, transmissão e totalização de votos, além de produção, configuração e fornecimento de urnas eletrônicas, softwares de gerenciamento eleitoral e sistemas de segurança.

A Smartmatic deixou o contrato com a Venezuela após denunciar suspeitas de fraude na divulgação oficial dos resultados das eleições de 2017.

Relatório da CIA não confirma fraude eleitoral em larga escala

A Smartmatic voltou a ser mencionada recentemente após a Casa Branca divulgar documentos relacionados a uma investigação conduzida pela CIA sobre a capacidade do governo venezuelano de manipular eleições utilizando tecnologia de votação eletrônica.

O relatório, no entanto, não afirma que uma fraude tenha ocorrido. A análise aponta que as autoridades venezuelanas tinham “alguma capacidade de manipular sistemas de votação eletrônica” para influenciar resultados.

A inteligência americana também afirmou que não havia evidências definitivas de que a tecnologia, desenvolvida principalmente pela Smartmatic, tivesse sido utilizada para realizar uma fraude eletrônica em larga escala na Venezuela.

De acordo com a análise, nem a Smartmatic nem o governo venezuelano tinham capacidade para manipular o resultado de uma eleição realizada fora da Venezuela.

Campanha de Flávio diz que senador não questionou sistema eleitoral

Após a declaração, a campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador não questionou a integridade do sistema de votação brasileiro.

Em nota, a equipe de pré-campanha disse que Flávio afirmou expressamente, durante o evento, que “não está questionando o sistema de votação brasileiro” e defendeu o envio do maior número possível de observadores internacionais para acompanhar as eleições. Segundo a campanha, missões de observação internacional contribuem para o aperfeiçoamento do processo eleitoral, ampliando a transparência, a integridade e a confiança pública nas eleições.

Durante o discurso, Flávio pediu que países enviassem mais observadores para acompanhar o processo eleitoral brasileiro, incluindo profissionais com conhecimento sobre tecnologia e sistemas de votação.

Declaração ocorre após caso envolvendo Jair Bolsonaro

A fala de Flávio ocorre três anos após o Tribunal Superior Eleitoral declarar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível por oito anos.

Em 2023, o TSE condenou Jair Bolsonaro por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação após uma reunião com embaixadores estrangeiros realizada no Palácio da Alvorada, em julho de 2022. Na ocasião, a menos de três meses das eleições presidenciais, o então presidente fez afirmações falsas sobre o sistema eletrônico de votação e ministros do TSE. O tribunal considerou que a conduta configurou abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação.

*Com Informações BBC

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