InícioGeralSociedadeMPAM apura cobrança de tarifa de esgoto em imóveis sem conexão viável

MPAM apura cobrança de tarifa de esgoto em imóveis sem conexão viável

Publicado em

Publicidade

Investigação analisa casos em que consumidores são cobrados mesmo sem comprovação de que o imóvel possa ser ligado à rede pública de esgotamento sanitário em Manaus

O MPAM apura a cobrança de tarifa de esgoto em imóveis sem conexão viável à rede pública de Manaus. A investigação busca esclarecer se a simples existência de uma rede coletora na rua é suficiente para autorizar a cobrança ou se a concessionária precisa comprovar que o imóvel tem condições técnicas efetivas de ser conectado ao sistema.

📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.

A apuração é conduzida pela 52ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa do Consumidor e ganhou novos desdobramentos após a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus, a Ageman, determinar a suspensão da cobrança em imóveis cuja viabilidade técnica e econômica de conexão não esteja comprovada.

Entre as situações analisadas estão imóveis com chamada “soleira negativa”, vilas internas, construções localizadas nos fundos de lotes, vias sem rede coletora e locais onde a ligação por gravidade não seja possível.

MPAM discute responsabilidade pela ligação dos imóveis

O promotor de Justiça Lincoln Alencar de Queiroz, titular da 52ª Prodecon, explicou que a investigação também pretende definir quem deve assumir a responsabilidade por eventuais intervenções necessárias para tornar possível a conexão dos imóveis.

Segundo ele, a suspensão da cobrança não significa automaticamente que a concessionária seja obrigada a executar qualquer obra necessária à ligação.

“A suspensão da cobrança não significa que a concessionária seja responsável por fazer toda e qualquer obra necessária para realizar essa conexão. O que nós estamos analisando é que o contrato de concessão e as regras que regulamentam o serviço não deixam claro quem deve assumir essa responsabilidade em situações como a chamada soleira negativa”, afirmou.

Limitações técnicas entraram no foco da investigação

Durante audiência realizada em março, foram identificadas diferentes situações capazes de impedir fisicamente a conexão de determinados imóveis à rede pública.

Entre os casos citados estão diferenças de nível entre o imóvel e a rede, limitações topográficas, construções situadas em fundos de vale, ocupações irregulares e edificações erguidas sobre redes já implantadas.

A partir dessas informações, o Ministério Público passou a avaliar com maior profundidade a relação entre a cobertura declarada do sistema de esgoto, a disponibilidade efetiva do serviço e a cobrança feita aos consumidores.

Em maio, a Promotoria solicitou informações à Águas de Manaus, à Ageman e à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. A consulta à ANA resultou em uma nota técnica conjunta incorporada ao Inquérito Civil nº 06.2025.00000732-1.

Mais de 2,6 mil imóveis estavam classificados como soleira negativa

Dados apresentados pela Águas de Manaus mostram parte da dimensão da situação. Em 5 de agosto de 2026, a concessionária informou possuir 2.619 matrículas classificadas como “Soleira Negativa” em seu sistema comercial.

De acordo com a empresa, essas unidades não estavam sendo cobradas pelo serviço de esgotamento sanitário naquela data e havia um mecanismo cadastral para identificar individualmente os imóveis nessa condição.

A concessionária, porém, informou que a ausência de cobrança ocorreria por “mera liberalidade comercial”. Esse entendimento passou a ser considerado pelo MPAM dentro da investigação sobre a possibilidade de faturamento quando não existe conexão efetiva ou tecnicamente viável com a rede.

Em agosto, a Ageman informou ao Ministério Público que ainda não possuía procedimento regulatório específico para identificar, classificar e cadastrar os imóveis cuja conexão por gravidade fosse materialmente inviável, nem para definir o tratamento tarifário nesses casos.

Ageman determina suspensão das cobranças

Em setembro, representantes da Ageman, Águas de Manaus e Procuradoria-Geral do Município participaram de audiência conjunta para discutir critérios de identificação dos imóveis, atualização cadastral, faturamento e possíveis medidas de restituição ou compensação.

No dia 26 de setembro, a Ageman tornou pública uma determinação para que sejam suspensas, no prazo de cinco dias úteis, as cobranças realizadas em imóveis cuja viabilidade de conexão não esteja comprovada.

A concessionária também deverá apresentar, em dez dias úteis, um relatório com informações sobre os imóveis submetidos à cobrança, a situação da rede disponível e os elementos técnicos relacionados à possibilidade ou impossibilidade de conexão.

A determinação prevê ainda a análise de eventual restituição ou compensação de valores cobrados indevidamente.

Segundo o entendimento apresentado pela agência reguladora, a existência de uma rede de esgoto no logradouro, isoladamente, não é suficiente para justificar a cobrança quando não houver comprovação de que o imóvel possa efetivamente utilizar o serviço.

Investigação continuará acompanhando medidas

A 52ª Prodecon seguirá acompanhando o cumprimento das determinações e analisando as informações apresentadas pela concessionária.

Entre os pontos que permanecem sob avaliação estão a definição de critérios técnicos objetivos, a identificação dos imóveis sem possibilidade efetiva de conexão, a atualização dos cadastros e a suspensão das cobranças nos casos enquadrados nessas condições.

Leia mais:
Gás do Povo atende mais de 483 mil famílias no Amazonas em setembro
CV amplia domínio sobre rotas do tráfico na Amazônia e supera PCC, aponta estudo
Manaus bate novo recorde de consumo de energia em meio a calor e fumaça

Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

spot_img

Últimas Notícias

Política no trabalho e os limites do assédio eleitoral

Conversas sobre candidatos e eleições fazem parte do cotidiano, mas pressão, ameaça, promessa de...

TRE-AM suspende pesquisa Quaest no Amazonas a uma semana da eleição

Juiz auxiliar apontou inconsistências no questionário e divergências nos bairros pesquisados; decisão é liminar...

Gás do Povo atende mais de 483 mil famílias no Amazonas em setembro

Programa beneficia cerca de 1,6 milhão de pessoas no estado e conta com 502...

Justiça limita testemunhas de defesa no caso da morte de Benício em hospital de Manaus

Magistrada também autorizou acesso a imagens, registros eletrônicos e informações relacionadas ao sistema utilizado...

Mais como este

Política no trabalho e os limites do assédio eleitoral

Conversas sobre candidatos e eleições fazem parte do cotidiano, mas pressão, ameaça, promessa de...

Gás do Povo atende mais de 483 mil famílias no Amazonas em setembro

Programa beneficia cerca de 1,6 milhão de pessoas no estado e conta com 502...

Justiça limita testemunhas de defesa no caso da morte de Benício em hospital de Manaus

Magistrada também autorizou acesso a imagens, registros eletrônicos e informações relacionadas ao sistema utilizado...