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Lula afirma que não usará o cargo para proteger Lulinha de investigação

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Presidente assegura que o empresário responderá como qualquer cidadão e retornará da Espanha para depor caso seja convocado pela Justiça.

Em declarações sobre a apuração que envolve seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não pretende utilizar o peso da Presidência para proteger Lulinha de investigações conduzidas pela Polícia Federal. Segundo o mandatário, o empresário deverá responder às apurações como qualquer outro cidadão e cumprir eventuais sanções caso seja considerado culpado.

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A declaração foi dada durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., ocasião em que Lula reiterou sua crença na inocência do filho, mas ressaltou que membros de sua família não possuem permissão para cometer erros. O presidente garantiu que jamais faria pedidos a delegados ou juízes para interferir no andamento dos trabalhos e destacou que o filho, atualmente residindo na Espanha, não ficará escondido e retornará ao Brasil para prestar esclarecimentos se for chamado pelo Judiciário.

Ao abordar o impacto dos processos judiciais no âmbito familiar, o presidente associou a morte de sua esposa Marisa Letícia, ocorrida em 2017, às pressões e acusações decorrentes da Operação Lava Jato. Ele mencionou que o filho tem ciência dessa dor histórica e que joga limpo com ele diariamente ao reafirmar sua conduta ilibada.

Suspeitas de tráfico de influência e o mercado de cannabis medicinal

A manifestação pública do presidente ocorreu após o ministro André Mendonça autorizar inquérito contra Lulinha por suspeita de tráfico de influência no Supremo Tribunal Federal. A investigação busca esclarecer se Fábio Luís teria feito uso de suas relações no governo federal para favorecer interesses ligados ao setor de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde. O procedimento tramita sob sigilo e, no momento, não há denúncias formais ou condenações.

O caso envolve a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Antunes foi preso em decorrência de apurações sobre esquemas de descontos ilegais em benefícios previdenciários e buscava atuar no segmento da empresa World Cannabis.

Transferências financeiras no valor total de R$ 1,5 milhão foram realizadas por empresas ligadas ao lobista para a consultoria de Roberta, divididas em cinco parcelas de R$ 300 mil. Em uma das mensagens interceptadas, o lobista mencionou que uma das parcelas seria destinada ao filho do rapaz, expressão que a Polícia Federal busca esclarecer se faz referência direta a Fábio Luís.

Argumentos da defesa e negação de repasses

A defesa de Roberta Luchsinger sustenta que os valores recebidos foram estritamente destinados a remunerar serviços prestados por sua consultoria, negando expressamente a transferência de qualquer quantia ao filho do presidente.

Por sua vez, os advogados de Fábio Luís refutam qualquer irregularidade e criticam a criação de uma frente investigativa autônoma. A equipe jurídica aponta que as apurações prévias sobre as fraudes no INSS não identificaram provas do envolvimento do empresário, classificando a nova linha de apuração como uma tentativa de pescaria probatória.

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