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Ministro Luiz Fux solicita saída da primeira turma do STF

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Pedido de transferência do ministro para a Segunda Turma, na vaga aberta pela aposentadoria de Barroso, pode alterar o quórum dos julgamentos futuros e coloca Fux ao lado de Gilmar Mendes.

O ministro Luiz Fux solicitou formalmente nesta terça-feira, 21, sua saída da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação de Fux da Primeira Turma ocorre em um momento de alta tensão na Corte, especificamente relacionado aos julgamentos dos processos da chamada trama golpista, dos quais o colegiado é responsável.

O pedido de transferência foi encaminhado através de um ofício ao ministro Edson Fachin, atual presidente do STF, que recebeu o documento mas ainda não proferiu uma decisão sobre o requerimento.

A solicitação de Fux visa sua transferência para a Segunda Turma do tribunal. O assento em questão está vago desde a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Tal mudança de colegiado é uma possibilidade prevista no regimento interno do STF, aguardando apenas a deliberação da presidência da Corte.

No ofício enviado a Fachin, o ministro Luiz Fux não apresentou justificativas detalhadas ou os motivos que fundamentaram seu pedido. O documento limita-se a afirmar o interesse do ministro em compor a Segunda Turma.

Contudo, a decisão de Fux é interpretada no contexto de seu alegado isolamento dentro da Primeira Turma, especialmente durante as deliberações sobre o plano de golpe. Relatos indicam que o ministro ficou em posição solitária ao antagonizar posições com o ministro Alexandre de Moraes, que é o relator dos processos cruciais sobre o tema.

O futuro dos julgamentos da trama golpista

A potencial saída de Fux da Primeira Turma levanta questões imediatas sobre o futuro dos julgamentos da trama golpista. Se a transferência do ministro para a Segunda Turma for aprovada e efetivada imediatamente, Fux corre o risco de não participar das análises e votações dos demais núcleos investigativos da trama.

Nesse cenário, a cadeira de Fux na Primeira Turma seria ocupada pelo futuro ministro que ainda será indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Este novo membro da Corte, portanto, herdaria a responsabilidade de julgar os casos remanescentes da trama golpista, alterando a composição de forças dentro do colegiado.

A entrada de um novo indicado em um julgamento de tamanha magnitude é um fator de considerável importância política e jurídica, podendo influenciar diretamente os rumos das decisões.

A “solução excepcional” para manter Fux nos casos

Apesar da regra geral indicar a substituição imediata, existe uma alternativa sendo discutida nos bastidores do STF. Há a possibilidade de o ministro Luiz Fux retornar excepcionalmente à Primeira Turma com o propósito específico de votar nesses processos da trama golpista, mesmo após sua transferência.

Essa solução, no entanto, não é automática. Ela precisaria ser cuidadosamente “costurada” e acordada com o ministro Flávio Dino, que preside a Primeira Turma. Tal arranjo buscaria preservar a continuidade dos julgamentos sob a ótica de um ministro que já participou das deliberações iniciais, ao mesmo tempo que atenderia ao desejo de Fux de se afastar das atividades rotineiras do colegiado.

A viabilidade dessa negociação ainda é incerta e depende da disposição dos ministros envolvidos.

Da primeira turma para novos desafetos

A eventual mudança de colegiado, no entanto, não representa uma garantia de tranquilidade para Luiz Fux. A transferência para a Segunda Turma não o blindará totalmente dos desafetos que coleciona no tribunal.

Na composição da Segunda Turma figura o decano Gilmar Mendes. A relação entre Fux e Mendes é notoriamente complexa. Conforme relatos, os dois ministros tiveram uma briga acalorada na semana passada, ocorrida no intervalo de uma sessão plenária do STF.

Portanto, ao deixar a Primeira Turma, Fux pode estar trocando o antagonismo com Moraes por uma convivência diária com Mendes, sugerindo que as dinâmicas internas e as tensões pessoais no Supremo Tribunal Federal são complexas e multifacetadas, indo além das composições de suas Turmas. A decisão de Fachin sobre o pedido de Fux é aguardada e definirá os próximos capítulos da composição da Corte.

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