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Agente de fronteira atira em casal durante blitz e eleva tensão nos EUA

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Novo incidente envolvendo agente de fronteira em Portland acirra disputa sobre imigração.

Um novo episódio de violência envolvendo forças federais dos Estados Unidos intensificou a crise política e social no país nesta quinta-feira (08/01). Durante uma blitz de trânsito realizada na cidade de Portland, próxima à costa oeste americana, um agente de fronteira disparou contra duas pessoas, deixando um casal ferido. O incidente ocorreu apenas um dia após outro tiroteio fatal em Minneapolis, gerando uma onda de indignação contra as táticas de repressão à imigração adotadas pelo governo do presidente Donald Trump.

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De acordo com informações oficiais divulgadas pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), o disparo foi efetuado por um agente de fronteira da Patrulha dos Estados Unidos após o motorista do veículo supostamente tentar atropelar a equipe que realizava a operação. Os tiros atingiram tanto o condutor quanto uma mulher que estava no carro.

Apesar da gravidade da situação, as vítimas não foram socorridas imediatamente no local do disparo. Elas foram encontradas posteriormente pela polícia local, a mais de três quilômetros de onde a blitz estava montada. Ambos apresentavam ferimentos causados por armas de fogo e foram encaminhados às pressas para um hospital da região. Até o fechamento desta reportagem, não foram divulgados boletins médicos detalhados sobre o estado de saúde do casal.

Justificativas federais e contestação local

As autoridades federais, na tentativa de justificar a ação do agente de fronteira, afirmaram que o alvo da operação era um imigrante indocumentado. Sem apresentar evidências concretas até o momento, o governo alegou que o suspeito seria membro do “Tren de Aragua”, uma gangue com origens no sistema prisional da Venezuela e que tem sido alvo frequente da retórica do presidente Trump. Paramédicos que atenderam a ocorrência relataram que as duas vítimas falavam espanhol.

Contudo, a versão apresentada pelo governo federal foi recebida com ceticismo pelas autoridades locais. A polícia e os governos estaduais afirmaram não ter condições de verificar a veracidade do relato sobre a tentativa de atropelamento ou a ligação com o crime organizado. Esse desencontro de informações, somado à ação letal do agente de fronteira, aprofundou o abismo entre as administrações estaduais democratas e a Casa Branca.

Onda de violência e caso em Minneapolis

O caso em Portland não é um evento isolado. Ele ocorre na esteira de outro confronto trágico em Minneapolis, no estado de Minnesota.

Leia também: Entenda o caso onde um agente migratório mata mulher em Minneapolis, estopim para a atual escalada de tensão nos EUA.

Um dia antes, um integrante do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) matou a tiros Renee Nichole Good, uma americana de 37 anos. Segundo ativistas, ela participava de uma “patrulha de bairro” destinada a monitorar as atividades do órgão federal.

Assim como no caso do agente de fronteira em Portland, as versões sobre a morte de Renee são conflitantes. O ICE alega que a mulher tentou usar seu carro como arma contra os oficiais. Em contrapartida, defensores e testemunhas afirmam que vídeos do momento mostram que ela tentou desviar do agente, e não atropelá-lo. Investigadores estaduais de Minnesota denunciaram terem sido excluídos da investigação federal, aumentando a desconfiança sobre a transparência das apurações.

Reação política e protestos

A governadora de Oregon, Tina Kotek, posicionou-se firmemente contra a atuação federal em seu estado, exigindo uma investigação transparente sobre a conduta do agente de fronteira. Em declaração contundente, Kotek afirmou que “quando um presidente apoia a separação de famílias e tenta governar por meio do medo e do ódio, em vez de valores compartilhados, promove-se um ambiente de ilegalidade e imprudência”.

A resposta das ruas foi imediata. A polícia de Portland prendeu seis pessoas na manhã desta sexta-feira durante protestos nas proximidades de um prédio do ICE. A cidade já possui um histórico de manifestações intensas contra a agência, o que levou Trump, no ano passado, a tentar mobilizar a Guarda Nacional — medida que foi barrada pela Justiça.

Em Minneapolis, o cenário também é de conflito. Manifestantes foram reprimidos com gás lacrimogêneo e balas de pimenta após a morte de Renee Good. Prefeitos e governadores democratas de diversas regiões afetadas exigiram a retirada imediata dos agentes federais, argumentando que a presença ostensiva e as táticas agressivas estão colocando a segurança pública em risco.

O governo Trump, por sua vez, defende que a “maior operação de todos os tempos” do Departamento de Segurança Interna, que enviou cerca de 2.000 agentes federais para áreas como Minneapolis, é essencial para combater o crime. No entanto, críticos apontam que a política de endurecimento das deportações, elemento-chave do segundo mandato republicano, tem resultado em violência desproporcional e violações de direitos, transformando cidades americanas em palcos de batalha política e social.

Leia mais:
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