Uma pesquisa conduzida por pesquisadores brasileiros, com dados de 4.280 adolescentes e seus responsáveis, demonstrou que as atitudes dos pais são determinantes na prevenção ao consumo de álcool e uso de drogas. Embora o comportamento dos responsáveis influencie diretamente os filhos, o estudo revela que o estilo de educação adotado pode amenizar significativamente esses riscos. O resultado mais expressivo aponta que, quando os pais são abstêmios, 89% dos adolescentes também não utilizam nenhuma substância lícita ou ilícita.
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O risco de consumo pelos jovens aumenta proporcionalmente ao uso dos pais: o consumo de álcool pelos responsáveis está associado a uma probabilidade de 24% de uso pelos filhos. Quando os adultos consomem várias substâncias, o risco de o jovem utilizar duas ou mais drogas salta para 28%. No entanto, o estilo parental “autoritativo”, que combina acolhimento e monitoramento com regras claras, mostrou-se o fator de proteção mais eficaz para interromper esse ciclo intergeracional.
O impacto dos estilos educativos
A pesquisa analisou quatro perfis de educação e seu impacto protetivo. O estilo autoritativo, marcado pelo diálogo e presença, foi o que mais reduziu as chances de os filhos repetirem o padrão de consumo. O estilo autoritário também apresentou redução de risco, mas com menor impacto para o álcool. Em contrapartida, os estilos permissivo e negligente não ofereceram nenhum efeito protetor, sendo que filhos de pais negligentes têm maior probabilidade de frequentar a escola sob efeito de substâncias.
A professora Zila Sanchez, da Unifesp e autora principal do estudo, reforça que o afeto e os limites minimizam os riscos trazidos pelo próprio consumo dos pais. Contudo, ela alerta que a naturalização do álcool em casa, quando tratada de forma banal e frequente, mantém o risco elevado independentemente do vínculo afetivo. Retardar o primeiro contato com essas substâncias é uma das estratégias mais eficazes para diminuir danos futuros à saúde física e mental dos jovens.
O cenário do consumo no Brasil
Os dados nacionais mostram o tamanho do desafio: cerca de 3,2 milhões de adolescentes entre 14 e 17 anos já consumiram álcool em algum momento da vida. Além disso, estima-se que 1 milhão de jovens nessa faixa etária já tenham experimentado maconha. O levantamento da Unifesp indica que mais da metade da população brasileira teve sua primeira experiência com álcool antes dos 18 anos, apesar da proibição legal.
A pesquisa, desenvolvida em municípios de pequeno porte em São Paulo, visa orientar políticas públicas de prevenção de base comunitária. Evidências científicas sugerem que intervenções que unem escola, família e estratégias ambientais promovem efeitos mais duradouros. Ao focar no diagnóstico precoce e no fortalecimento dos laços familiares, o projeto busca criar caminhos para que a próxima geração cresça em um ambiente de maior segurança e menor exposição a riscos de dependência.
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