As autoridades brasileiras intensificaram os esforços internacionais para localizar ativos de alto valor vinculados ao banqueiro Daniel Vorcaro em território americano. O processo, conduzido pelo liquidante do Banco Master sob supervisão do Banco Central, busca identificar propriedades, obras de arte e outros bens de luxo que possam estar relacionados a supostas irregularidades financeiras envolvendo a instituição.
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A ofensiva jurídica atravessou a fronteira em 29 de janeiro, quando a Corte Federal de Falências de Miami foi acionada para intervir no caso. O objetivo central é obter autorização para intimar 22 entidades situadas na Flórida, incluindo instituições bancárias, corretores de imóveis de alto padrão e renomadas galerias de arte, como Gagosian e Pace. Casas de leilão de prestígio global, como Sotheby’s e Christie’s, também constam na lista de organizações que podem ser obrigadas a fornecer informações sobre transações ligadas ao empresário.
Investigação de ativos na Flórida e mansão em Orlando
Entre os itens que despertam o maior interesse dos investigadores está uma propriedade de dimensões monumentais localizada nas proximidades de Orlando. A mansão possui mais de 2.200 metros quadrados e foi adquirida pelo pai de Daniel Vorcaro por uma cifra recorde de US$ 32 milhões. A transação é vista como um ponto fundamental para entender o fluxo de capital e a formação do patrimônio da família no exterior.
Além dos imóveis físicos, a justiça busca rastrear a movimentação de empresas constituídas nos Estados Unidos por executivos que gozam da confiança de Vorcaro. A suspeita é que essas estruturas jurídicas possam ter sido utilizadas para ocultar a origem ou a propriedade de recursos provenientes do Brasil. O liquidante atua para garantir que quaisquer ativos ligados ao banco ou aos seus administradores fiquem disponíveis para o ressarcimento de credores e depositantes, caso as fraudes sejam comprovadas.
Defesa contesta busca de bens de Daniel Vorcaro
O embate jurídico ganhou novos contornos em 9 de fevereiro, quando os advogados que representam o banqueiro apresentaram uma contestação formal ao pedido de quebra de sigilo e busca de ativos. A linha de defesa argumenta que o liquidante do Banco Master não possui legitimidade legal para perseguir bens de cunho estritamente pessoal de Vorcaro. Segundo os defensores, a responsabilidade perante terceiros recai sobre a pessoa jurídica da instituição financeira, e não sobre o patrimônio individual de seus sócios neste estágio do processo.
Uma audiência decisiva está agendada para o dia 4 de março em Miami. Durante a sessão, o juiz responsável deverá avaliar os argumentos de ambos os lados para decidir se as intimações serão mantidas ou se a investigação sobre o patrimônio privado sofrerá restrições.
Histórico do caso e suspeitas de fraude bilionária
Daniel Vorcaro é uma figura central em um dos maiores inquéritos financeiros da história recente do país. As acusações envolvem a comercialização de títulos sem lastro, o que teria gerado um rombo bilionário e comprometido a estabilidade da instituição sob sua gestão. O empresário chegou a ser detido pela Polícia Federal durante uma fase ostensiva da operação, mas atualmente responde ao processo em liberdade.
Em seus pronunciamentos oficiais, o banqueiro nega categoricamente qualquer prática ilícita e afirma que tem colaborado de forma irrestrita com as autoridades policiais. No entanto, o avanço das buscas na Flórida sinaliza que os órgãos de controle brasileiros estão decididos a esgotar todas as vias de cooperação internacional para esclarecer o destino dos recursos e garantir a integridade do sistema financeiro nacional.
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