Em sua primeira declaração oficial desde que assumiu o poder, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, determinou nesta quinta-feira, 12 de março, que o Estreito de Ormuz permaneça fechado. A decisão marca o início de sua gestão após suceder o aiatolá Ali Khamenei, falecido no final de fevereiro, e sinaliza uma postura de confronto direto em meio à guerra que envolve os Estados Unidos e Israel.
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O anúncio foi feito através de um discurso lido por um jornalista na televisão estatal iraniana. Além da ordem de bloqueio na rota marítima, Mojtaba expressou gratidão à chamada frente de resistência composta por grupos no Iêmen, Líbano e Iraque. O líder afirmou que a prioridade do regime é vingar as mortes decorrentes dos ataques sofridos desde o início das hostilidades, em 28 de fevereiro, ressaltando que as operações de retaliação continuarão até serem concluídas.
Escalada militar e ataques em larga escala no Irã
O conflito, que chega hoje ao seu 13º dia, apresenta sinais claros de expansão geográfica. As Forças de Defesa de Israel confirmaram o lançamento de uma nova ofensiva aérea descrita como de larga escala. O objetivo da operação é atingir infraestruturas estratégicas ligadas ao governo iraniano em diversos pontos do país. Segundo o comando militar israelense, a ação visa desarticular a rede logística do regime terrorista que sustenta a resistência regional.
Enquanto Israel avança por via aérea, o Irã utiliza tecnologias não tripuladas para atingir alvos distantes. Na noite de quarta-feira, um drone iraniano atingiu uma torre de luxo no Dubai Creek Harbour, nos Emirados Árabes Unidos. O impacto causou um incêndio em um hotel localizado nos andares superiores. Apesar do susto, as autoridades de Dubai informaram que não houve feridos. A agência iraniana Isna justificou o ataque alegando que o edifício servia de esconderijo para militares americanos, afirmação que não foi confirmada por Washington.
Impacto no mercado de energia e bloqueio do Estreito de Ormuz
A instabilidade na região atingiu diretamente o setor energético global. A estratégia iraniana de focar em instalações de petróleo no Golfo Pérsico tem gerado danos crescentes. O Bahrein relatou ataques contra depósitos de combustíveis, enquanto em Omã, o porto de Salalah registrou incêndios provocados por drones. Na Arábia Saudita, o campo de petróleo de Shaybah, situado no leste do país, também foi alvo de incursões.
Esses eventos, somados à manutenção da interdição do Estreito de Ormuz, provocaram uma reação imediata nos mercados financeiros. O barril de petróleo Brent superou a marca de 100 dólares na manhã desta quinta-feira. A alta ocorre mesmo após grandes potências anunciarem a liberação de reservas estratégicas para tentar estabilizar os preços e garantir a segurança das rotas de navegação.
Declarações em Washington e o futuro da guerra
Do lado americano, o presidente Donald Trump manifestou uma visão otimista sobre o desempenho militar dos Estados Unidos. Durante um comício realizado no Kentucky, Trump afirmou que as forças americanas venceram o confronto logo na primeira hora de combate. No entanto, o presidente ressaltou que as tropas não devem se retirar do território iraniano prematuramente, enfatizando a necessidade de concluir o trabalho pendente antes de qualquer desmobilização.
A comunidade internacional observa com apreensão o desenrolar dos fatos, uma vez que a combinação de ataques a infraestruturas de energia e o bloqueio de vias marítimas vitais pode desencadear uma crise econômica de proporções globais, além do agravamento da crise humanitária na região.
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