A retomada das obras de infraestrutura na rodovia federal que liga o Amazonas ao restante do país promete transformar a dinâmica econômica da região. Segundo o novo superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, a pavimentação da BR-319 servirá como um catalisador fundamental para a chegada de novos empreendimentos ao Polo Industrial de Manaus (PIM). Em entrevista concedida nesta quarta-feira, dia 1º, o gestor destacou que a rodovia representa uma alternativa logística vital para aumentar a competitividade das indústrias locais, permitindo um fluxo mais ágil de insumos e produtos acabados.
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A declaração ocorre em um momento estratégico, logo após o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) autorizar o início de novas intervenções e abrir licitação para o asfaltamento de trechos críticos no estado. O projeto foca no intervalo entre os igarapés Atií e Realidade, representando um avanço aguardado por décadas pelo setor produtivo amazonense. Para Montenegro, a diversificação dos modais de transporte é essencial para um polo que nasceu com a vocação de abastecer o mercado interno brasileiro.
Expansão industrial e o papel da BR-319 na logística
O cenário de crescimento é sustentado por números expressivos. A autarquia projeta a instalação de 38 novas fábricas nos próximos três anos, que se somarão a outras 195 unidades aprovadas recentemente. Este ciclo de expansão é atribuído, em grande parte, à segurança jurídica trazida pela reforma tributária, que preservou o modelo de incentivos fiscais da região. Nesse contexto, a BR-319 surge como a peça que faltava para otimizar o escoamento da produção, que hoje depende majoritariamente das vias fluvial e aérea.
A facilitação do trânsito terrestre tende a reduzir custos operacionais e o tempo de entrega das mercadorias. Atualmente, a dependência dos rios torna a logística vulnerável aos ciclos naturais, como as secas severas que atingem a bacia amazônica. Com uma rodovia trafegável durante todo o ano, o Polo Industrial ganha uma rota complementar que fortalece a resiliência do sistema de abastecimento nacional.
Desafios de infraestrutura e ocupação territorial
Apesar do otimismo com o aumento da demanda, a Suframa enfrenta o desafio da escassez de espaço físico. Com os distritos industriais atuais operando próximos do limite de ocupação, a gestão iniciou diálogos com a Prefeitura de Manaus. O objetivo é revisar o plano diretor da capital para identificar e viabilizar novas áreas que possam abrigar os complexos fabris que estão por vir. A intenção é garantir que a infraestrutura urbana acompanhe o ritmo do desenvolvimento econômico.
Além do espaço geográfico, a autarquia monitora de perto as variáveis climáticas. Mesmo com a previsão de impactos menores para as próximas cheias e secas, muitas empresas já adotam estratégias preventivas, como a antecipação da compra de componentes. Esse monitoramento é realizado em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), garantindo dados técnicos para a tomada de decisão das indústrias.
Formação profissional e faturamento recorde
O crescimento industrial projeta uma demanda massiva por mão de obra especializada. Estimativas apontam que, nos próximos três anos, o setor precisará de mais de 3 mil engenheiros e cerca de 3.500 técnicos de nível médio. Para suprir essa lacuna, a Suframa busca firmar parcerias com instituições de ensino superior e técnico, incentivando a formação de jovens talentos locais para ocupar as vagas geradas pela expansão do polo.
Em termos financeiros, os indicadores são positivos. Após fechar 2025 com um faturamento histórico de R$ 227,7 bilhões, a expectativa para 2026 é superar a marca de R$ 240 bilhões. Com a consolidação da reforma tributária prevista para os próximos anos, a meta da autarquia é modernizar seus sistemas internos e garantir que a infraestrutura necessária esteja pronta para receber a nova onda de investimentos que a integração terrestre proporcionará.
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