Levantamento mostra avanço da mortalidade após a pandemia, com motociclistas entre as principais vítimas no estado e no país.
As mortes no trânsito no Amazonas aumentaram 29,8% entre 2023 e 2024, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta quinta-feira (23). O crescimento também aparece nas comparações de longo prazo, com alta de 42,8% em relação a 2019 e de 21,7% na última década.
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Os números acompanham uma tendência nacional de retomada da mortalidade no trânsito após o período mais crítico da pandemia de Covid-19. Em 2024, o Brasil contabilizou 37.150 mortes em sinistros de transporte terrestre, quase 5 mil a mais do que em 2019, último ano antes da pandemia.
De acordo com o levantamento, a retomada das atividades econômicas a partir de 2021 ampliou a circulação de pessoas e mercadorias pelo país. O aumento da movimentação nas vias foi acompanhado pelo crescimento das ocorrências fatais, especialmente nos estados das regiões Norte e Nordeste.
Mortes no trânsito no Amazonas acompanham alta regional
Os estados do Norte e do Nordeste registraram os maiores aumentos da mortalidade entre 2019 e 2024. O Anuário relaciona esse cenário ao crescimento do uso de motocicletas pela população de menor renda, inclusive como ferramenta de trabalho em aplicativos de transporte, além das dificuldades de investimento em infraestrutura, educação e gestão do trânsito.
A taxa nacional de mortalidade também voltou a crescer. Em 2024, o Brasil registrou 17,5 mortes no trânsito para cada 100 mil habitantes, nível semelhante ao observado em meados da década passada.
Embora o resultado permaneça abaixo dos recordes históricos, que ultrapassaram 20 mortes por 100 mil habitantes, o estudo alerta para a velocidade do crescimento recente. O índice brasileiro também está acima dos registrados em países desenvolvidos, onde as taxas geralmente ficam abaixo de cinco mortes por 100 mil habitantes.
Motociclistas concentram mais de 40% das mortes
As motocicletas se tornaram o principal vetor da mortalidade no trânsito brasileiro. Em 2024, esse tipo de veículo esteve relacionado a mais de 40% das mortes na maioria das unidades da Federação. A média nacional chegou a 41,6% dos óbitos viários.
O cenário representa uma mudança significativa em relação ao início dos anos 2000, quando a participação das motocicletas nas fatalidades era inferior a 5%. O crescimento do uso desse meio de transporte, especialmente em áreas com menor oferta de transporte público, aparece entre os principais fatores associados à reversão da tendência de queda das mortes.
Os impactos são mais intensos no Norte e no Nordeste. No Piauí, por exemplo, motociclistas representam 72,7% das fatalidades registradas no trânsito, percentual bastante superior à média brasileira. Entre 2019 e 2024, as mortes envolvendo motocicletas no país aumentaram 38%, passando de 11.182 para 15.459.
No Amazonas, dados da rede estadual de saúde mostram que os acidentes com motocicletas provocaram 325 mortes em 2024. No mesmo ano, foram registradas 15.240 internações por lesões decorrentes de acidentes de trânsito, das quais 11.325 envolveram motocicletas.
Manaus aparece entre cidades com mais celulares subtraídos
Além dos indicadores de trânsito, o Anuário coloca Manaus na sétima posição do ranking nacional de roubos e furtos de celulares. A capital amazonense registrou, em 2025, uma taxa de 1.107,1 aparelhos subtraídos para cada 100 mil habitantes.
O levantamento considera municípios com mais de 100 mil moradores. Apenas São Luís, Belém, São Paulo, Salvador, Lauro de Freitas e Porto Velho apresentaram índices superiores ao registrado em Manaus.
Entre as 20 cidades com as maiores taxas, seis ficam na região Norte. Além de Manaus, aparecem Belém, Porto Velho, Ananindeua, Marituba e Macapá.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as ocorrências estão concentradas principalmente nas capitais e em municípios de regiões metropolitanas. Das 20 cidades presentes no ranking, 14 são capitais. As demais ficam próximas a grandes centros urbanos, áreas que possuem maior circulação de pessoas e mais oportunidades para esse tipo de crime.
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