O monitoramento hidrológico na Região Norte apresenta novos dados sobre o comportamento das águas no Amazonas. A medição oficial realizada pelo Porto de Manaus indicou que o nível do rio Negro iniciou o mês de junho de 2026 com 27,95 metros. O índice atual representa uma redução de 65 centímetros quando comparado ao mesmo período de 2025, ocasião em que as águas atingiram a marca de 28,60 metros. Em contrapartida, o cenário atual supera os registros de 2024, que computaram 26,49 metros no primeiro dia de junho, e se aproxima dos 28,14 metros verificados em 2023.
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Apesar de ter apresentado uma elevação estrita de 5 centímetros no primeiro dia deste mês, o comportamento do manancial permanece distante dos índices históricos mais severos. O recorde de cheia na capital amazonense foi registrado no dia 1º de junho de 2021, período em que o rio atingiu a marca de 30,02 metros, superando o ápice anterior verificado no ano de 2012. Naquela oportunidade, o impacto severo das inundações afetou mais de 400 mil pessoas e resultou na decretação de situação de emergência em 48 dos 62 municípios do estado.
Projeções do Serviço Geológico do Brasil para o comportamento das águas
De acordo com as análises do 3º Alerta de Cheias do Amazonas, divulgado recentemente pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), a cota máxima projetada para o nível do rio Negro em Manaus neste ano deve se situar em torno de 28,20 metros. Os técnicos do órgão governamental classificam o evento atual como uma cheia de baixa magnitude. As estatísticas apontam que a probabilidade de o rio alcançar a cota de inundação severa, estipulada em 29 metros, é de apenas 2%, enquanto as chances de ultrapassar o recorde histórico de 2021 permanecem abaixo de 1%.
Ainda que os prognósticos afastem o risco de uma subida extraordinária, o SGB ressalta que as cotas de inundação regular em Manaus e em Manacapuru já foram superadas, fazendo com que as águas ocupem as áreas de várzea e as regiões ribeirinhas habituais. Nas estações localizadas em Itacoatiara e Parintins, os modelos matemáticos indicam uma probabilidade inferior a 1% de que o Rio Amazonas venha a atingir o nível de transbordo, demonstrando estabilidade na calha principal.
No município de Manacapuru, as projeções para o rio Solimões indicam 80% de probabilidade de o manancial atingir a marca de 18,98 metros. O curso d’água local já ultrapassou a cota de inundação padrão, estabelecida em 18,20 metros. Contudo, a possibilidade de evolução para o nível de inundação severa, que ocorre aos 19,60 metros, ou de superação da máxima histórica de 20,86 metros, é considerada mínima, não ultrapassando a margem de 1%.
Monitoramento alerta para possibilidade de estiagem severa no segundo semestre
Especialistas em hidrologia ponderam que, embora o volume atual das águas em Manaus e Manacapuru permaneça dentro da normalidade estatística, as atenções científicas começam a se voltar para o comportamento dos rios no segundo semestre. O pesquisador Andre Martinelli aponta que os dados coletados na estação de Tabatinga acendem um sinal de alerta para o risco de estresse hídrico acentuado durante o período de vazante, com potencial para a ocorrência de uma seca extrema na região.
A intensidade da descida das águas poderá ser potencializada caso ocorra a confirmação e a consolidação do fenômeno climático El Niño, que tradicionalmente reduz os índices de pluviosidade na Amazônia. Com base na série histórica de amplitudes entre os picos de cheia e de vazante, os pesquisadores desenharam dois cenários distintos para os próximos meses nas localidades de Tabatinga e Manaus.
No primeiro cenário, que adota as amplitudes medianas da história do rio, a expectativa é de que o nível atinja a marca de 1,42 metro em Tabatinga e 16,89 metros em Manaus. Tais valores já representam marcas consideradas baixas para os padrões regionais. No segundo panorama, mais crítico e baseado no percentil 85 de vazante, os reflexos do El Niño poderiam reduzir o nível para -42 centímetros em Tabatinga, estabelecendo a quarta pior seca do município. Em Manaus, o recuo poderia atingir os 14,54 metros, igualando-se à marca histórica observada no ano de 1926, configurando a oitava pior estiagem registrada na capital.
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