Unidade de saúde registrou mais de 4,3 mil atendimentos de janeiro a maio no Amazonas; colisões envolvendo motocicletas lideram as estatísticas hospitalares.
Com o aumento das comemorações durante a Copa do Mundo, o Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Dr. Aristóteles Platão Bezerra de Araújo reforçou o alerta para os riscos de acidentes de trânsito, especialmente relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas e à condução de veículos. A unidade destaca que a imprudência pode resultar em sequelas permanentes e até mortes.
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De acordo com a direção do hospital, que integra a rede da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), a combinação entre a ingestão de bebidas alcoólicas e a condução de veículos permanece listada como uma das principais causas de ocorrências graves nas vias públicas, com potencial de gerar sequelas irreversíveis e óbitos.
Estatísticas apontam predominância de motociclistas
Os indicadores institucionais da unidade de saúde revelam a magnitude da situação epidemiológica no estado. No período compreendido entre janeiro e maio deste ano, o HPS Platão Araújo contabilizou um total de 4.308 atendimentos a cidadãos vitimados por acidentes de trânsito.
O volume de ocorrências envolvendo veículos de duas rodas destaca-se de forma expressiva no balanço. Dos atendimentos totais, 2.927 foram destinados a indivíduos envolvidos em colisões com motocicletas, o que representa 67,9% da demanda total por traumas viários na instituição.
O secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Luís Alberto Saraiva Santos, argumentou que os dados epidemiológicos demonstram a urgência de uma maior conscientização coletiva, de modo especial nos períodos de festas populares.
“Momentos de celebração devem ser vividos com responsabilidade. Durante a Copa do Mundo, muitas pessoas se reúnem para assistir aos jogos e, frequentemente, há consumo de bebidas alcoólicas. Por isso, é fundamental planejar o retorno para casa, utilizar transporte por aplicativo, táxi ou escolher um motorista que não vá beber. A prevenção é a melhor forma de preservar vidas”, advertiu o titular da pasta da saúde.
Complexidade cirúrgica e reabilitação prolongada
O perfil clínico dos pacientes admitidos na unidade exige alta complexidade na assistência médica. Segundo a diretora clínica do pronto-socorro, a médica Michele Oliveira, a maioria dos acidentados apresenta quadros graves, demandando suporte especializado imediato e intervenções no centro cirúrgico.
As fraturas de extremidades, localizadas primordialmente em membros superiores e inferiores (braços e pernas), figuram entre os procedimentos cirúrgicos mais recorrentes na rotina da unidade de saúde. Em termos de internação, os pacientes ocupam os leitos por uma média de três a quatro dias, intervalo necessário para a estabilização, realização de cirurgias e acompanhamento pós-operatório inicial até a concessão da alta hospitalar.
Contudo, a assistência ao paciente estende-se para além do período hospitalar, conforme explica Juliano Botero, diretor do HPS Platão Araújo e representante do Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) — entidade gestora do hospital.
“A recuperação do paciente não termina quando ele recebe alta. Na maioria dos casos, é necessário um longo processo de reabilitação, com acompanhamento fisioterapêutico para recuperar movimentos e funções comprometidas. Isso tem impacto direto no dia a dia dessas pessoas, que são economicamente ativas e precisam deixar de trabalhar por um período prolongado”, detalhou Botero.
A diretoria do hospital concluiu reforçando as recomendações de segurança viária para as próximas datas do campeonato mundial. Entre as orientações formais estão o respeito rigoroso aos limites de velocidade regulamentados, o uso obrigatório de equipamentos de proteção individual (EPIs), a adoção de uma direção defensiva e a completa dissociação entre o ato de dirigir e o consumo de substâncias alcoólicas
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