Entidades classificam falas de influenciador como criminosas e cobram rigor de autoridades após menções a Míriam Leitão e críticas à categoria.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da Fenaj divulgaram, nesta quarta-feira (29), uma nota conjunta onde expressam veemente repúdio às declarações de Paulo Figueiredo. O posicionamento ocorre após uma transmissão ao vivo realizada pelo influenciador na noite anterior, na qual proferiu ofensas à categoria e fez menções de teor misógino a profissionais da imprensa.
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Durante a live, Paulo Figueiredo chamou profissionais da imprensa de “putas pagas” e “prostitutas de alma”, declarou que preferiria ser apresentado às filhas como “gigolô” em vez de jornalista e afirmou que a jornalista Míriam Leitão “não merecia ser estuprada”. As declarações foram feitas enquanto criticava a imprensa e a destinação de publicidade estatal aos veículos de comunicação.
Paulo Figueiredo é acusado de atacar jornalistas e a liberdade de imprensa
Na nota conjunta, o SJPDF, a Fenaj e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas afirmam que as falas representam uma agressão às profissionais da imprensa e aos valores democráticos. Segundo o documento, “a gravidade dessa fala não pode ser minimizada” e a frase dirigida a Míriam Leitão reproduz uma manifestação que já resultou em condenação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As entidades também lembram que Míriam Leitão foi presa e torturada durante a ditadura militar quando estava grávida. Para os signatários da nota, a referência ao estupro nesse contexto torna o episódio ainda mais grave.
“Atacar Míriam Leitão com essa referência criminosa ao estupro, portanto, não é apenas misoginia; é um acinte à memória das vítimas da tortura e à história de luta pela democracia no Brasil”, diz um trecho do comunicado.
O texto acrescenta que esse tipo de manifestação faz parte de uma sequência de ataques de Paulo Figueiredo contra integrantes da imprensa e cobra providências “imediatas e rigorosas” por parte das autoridades competentes.
Ao final, as organizações manifestam solidariedade às jornalistas mencionadas pelo influenciador e reafirmam o compromisso com a defesa da categoria. “Não aceitaremos que o exercício do jornalismo seja transformado em alvo de ameaças e ultrajes”, afirma o documento, que também defende a responsabilização de Figueiredo.
Histórico de controvérsias envolvendo Paulo Figueiredo
As declarações mais recentes se somam a outros episódios envolvendo comentários de Paulo Figueiredo sobre mulheres.
Na semana anterior, o influenciador ganhou repercussão ao defender falas de Jair Bolsonaro sobre as deputadas Maria do Rosário (PT-RS) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Figueiredo classificou como “genial” a declaração em que Bolsonaro afirmou que Maria do Rosário “não merecia ser estuprada” e também comentou a reação do ex-presidente diante dos relatos de ameaças de estupro feitos por Jandira Feghali.
No início do mês, o influenciador também provocou repercussão ao afirmar, durante comentários sobre a crise partidária envolvendo Michelle Bolsonaro, que mulheres “votam mal”. A declaração gerou desgaste na pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que posteriormente se manifestou para afirmar que não concordava com a avaliação feita por Paulo Figueiredo.
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