Presidente oficializa candidatura à reeleição pelo PT, critica avanço do Congresso sobre o Orçamento e apresenta prioridades para um eventual quarto mandato
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou neste domingo (2) sua candidatura à reeleição durante a convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada em São Paulo. Em um discurso de mais de uma hora, o presidente apresentou as diretrizes de um eventual quarto mandato, criticou o crescimento das emendas parlamentares, defendeu a soberania nacional sobre minerais estratégicos e destacou como prioridades a educação, a população idosa, a defesa nacional e a unidade entre os partidos de esquerda.
A convenção reuniu dirigentes, parlamentares, militantes e representantes de partidos aliados e marcou o início da estratégia política da campanha petista para as eleições de 2026.
Lula promete enfrentar emendas parlamentares e discutir papel do Congresso
O principal ponto do discurso foi direcionado ao Congresso Nacional. Lula afirmou que pretende rediscutir o equilíbrio entre os Poderes Executivo e Legislativo, argumentando que o aumento do controle do Parlamento sobre o Orçamento reduziu a capacidade de atuação da Presidência da República.
Segundo o presidente, o avanço das emendas parlamentares e a ampliação das atribuições do Congresso alteraram o funcionamento institucional do país.
“Eu quero que vocês saibam que a minha quarta Presidência é para mudar muita coisa nesse país. Vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o papel que hoje tem o Poder Legislativo”, afirmou.
Lula também criticou a aprovação de projetos que criam universidades federais e mencionou mudanças relacionadas às indicações para agências reguladoras, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e tribunais superiores.
Apesar do tom crítico, o presidente afirmou que pretende conduzir qualquer disputa dentro das regras democráticas e pediu a eleição de uma base parlamentar mais ampla.
Defesa nacional entra no centro do discurso
Outro eixo da fala foi a política de defesa. Lula afirmou que a esquerda precisa superar resistências históricas relacionadas ao período da ditadura militar e tratar o tema como uma questão estratégica para o país.
O presidente destacou a extensão das fronteiras terrestres e marítimas do Brasil, a Amazônia, os recursos hídricos e as riquezas minerais como elementos que exigem capacidade de proteção nacional.
“Eu quero estar preparado para a paz, não é para a guerra. Quero estar preparado para ninguém ousar se fazer de besta conosco”, declarou.
Lula defendeu investimentos na indústria de defesa, em tecnologia nacional e na produção de equipamentos voltados ao monitoramento de fronteiras, como drones.
Soberania sobre terras raras e minerais críticos
A exploração de terras raras e minerais críticos também foi apresentada como prioridade de governo. Esses recursos são utilizados na fabricação de baterias, semicondutores, equipamentos eletrônicos e sistemas militares.
Segundo Lula, o Brasil deve manter controle sobre toda a cadeia produtiva desses minerais, desde a exploração até a transformação industrial.
“Eu vou levar muito a sério esse negócio de terras raras e minerais críticos. Isso é um patrimônio do povo brasileiro. Quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro”, afirmou.
O presidente citou diretamente China, Estados Unidos e França ao defender que empresas estrangeiras não tenham controle sobre esses recursos estratégicos.
Educação e política para idosos entre as prioridades
Ao tratar das propostas para um novo mandato, Lula colocou a educação como uma das principais prioridades. Ele defendeu a criação de um mecanismo de financiamento de longo prazo que reduza a dependência dos recursos anuais do Orçamento.
“A gente vai ter que aprovar uma coisa especial para garantir que, em dez anos, a gente resolva o problema da educação”, disse.
O presidente também anunciou a intenção de criar uma política nacional voltada à população idosa, com espaços públicos destinados a atividades físicas, cultura, lazer e convivência social.
Segundo Lula, o envelhecimento da população brasileira exige políticas específicas para reduzir o isolamento e ampliar o acesso a serviços e atividades.
Unidade da esquerda e campanha baseada em resultados
Durante o pronunciamento, Lula pediu que os partidos aliados reduzam disputas internas e concentrem esforços na campanha eleitoral. Para ele, a esquerda deve construir um programa comum para enfrentar as eleições de 2026.
“É preciso que a gente pare de brigar. A verdade está na nossa capacidade de unir todas as nossas verdades”, afirmou.
O presidente também orientou militantes a defenderem os resultados do governo e a não se preocuparem com pesquisas eleitorais neste início de campanha.
Na parte final do discurso, Lula afirmou que pretende adotar uma postura mais firme em um eventual quarto mandato, utilizando a expressão “Lulinha porreta” para descrever a atuação que pretende ter caso seja reeleito.
A campanha nacional do PT deve ser lançada oficialmente nas ruas no dia 16 de agosto, em evento previsto para o Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP).
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