Filho do presidente Lula passa a responder a três investigações da Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência e intermediação de contratos com órgãos do governo
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (4) a abertura de um novo inquérito contra Lulinha, após acolher um pedido da Polícia Federal para instaurar uma nova investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O empresário é investigado por suspeitas de tráfico de influência relacionadas a contatos com pessoas investigadas no esquema de fraudes envolvendo descontos associativos no INSS.
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Com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Lulinha passa a responder a três inquéritos em tramitação na Corte. Os outros dois processos estão sob a relatoria do ministro André Mendonça. Nas três investigações, a Polícia Federal busca apurar se o empresário teria utilizado sua condição de filho do presidente para oferecer a empresários acesso a autoridades do governo federal.
Flávio Dino autoriza terceiro inquérito contra Lulinha por contratos com empresa de tecnologia
A nova investigação apura a suposta atuação de Lulinha para intermediar contratos entre órgãos do Executivo federal e a empresa de tecnologia 3Structure IT. Segundo as informações da investigação, a empresa recebeu cerca de R$ 46 milhões do governo dentro de um conjunto de contratos de prestação de serviços que totalizam aproximadamente R$ 81 milhões.
Ao todo, foram celebrados seis contratos, sendo cinco deles firmados por dispensa de licitação. O primeiro contrato foi assinado em 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, com o Exército Brasileiro. Os demais foram celebrados durante o governo Lula por órgãos vinculados a diferentes ministérios.
Inquéritos anteriores investigam cannabis e Dataprev
Na última semana de julho, o ministro André Mendonça autorizou a abertura de duas investigações da Polícia Federal contra Lulinha.
A primeira apuração investiga suspeitas de que o empresário teria utilizado influência para facilitar a venda de insumos à base de cannabis ao Ministério da Saúde. A investigação menciona a lobista Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha, e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pela PF como principal suspeito de coordenar o esquema de fraudes envolvendo descontos associativos.
A segunda investigação envolve o empresário Cléber Ribas, sócio da 3Structure IT. De acordo com a Polícia Federal, Ribas teria custeado uma viagem de Lulinha em troca de apoio para obter acesso à direção da Dataprev, com o objetivo de viabilizar a celebração de um contrato.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega as acusações e afirma que a Polícia Federal estaria conduzindo uma “pesca probatória” contra o empresário.
Lulinha atualmente reside na Espanha. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o filho deverá retornar ao Brasil para prestar esclarecimentos às autoridades e declarou que não utilizará as prerrogativas do cargo para protegê-lo.
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