Comemoração da Independência em Brasília ocorre sob restrições de campanha, coro contra escala 6×1 e desgaste no Supremo Tribunal Federal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, nesta segunda-feira (7), do desfile de 7 de Setembro, em Brasília, ao lado dos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A presença ocorre em meio à crise envolvendo integrantes da Suprema Corte e autoridades de outros órgãos.
Na chegada de Lula ao local da cerimônia, parte do público manifestou apoio ao presidente e entoou o coro “olê, olá, Lula”. Também foram registradas manifestações pelo fim da escala de trabalho 6×1.
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O evento contou ainda com a presença do advogado-geral da União, Jorge Messias, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Os dois aparecem entre os personagens envolvidos em um dos focos da crise institucional dos últimos dias, que se intensificou após a divulgação de um relatório da PF solicitado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Durante a cerimônia, Messias e Andrei chegaram a passar próximos um do outro, mas não se cumprimentaram.

7 de Setembro tem foco em soberania e combate à violência contra mulheres
O desfile deste ano foi organizado em torno de três principais eixos temáticos: soberania nacional, enfrentamento à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027. Além dessas pautas, a programação tradicional contou com a participação das tropas das Forças Armadas — Marinha, Exército e Força Aérea.
O governo federal adotou como mote da cerimônia a frase “A Força que Une o Brasil”. A mensagem segue uma linha utilizada por Lula durante o terceiro mandato e também em sua campanha à reeleição. Materiais com a frase foram instalados na Esplanada dos Ministérios, onde ocorreu o desfile.
Tradicionalmente, o Palácio do Planalto convida integrantes do governo, chefes dos demais Poderes e ministros do Supremo para acompanhar a solenidade. Em 2025, nenhum ministro do STF participou do desfile.
Presença de Fachin ocorre em meio à crise no STF
A participação de Edson Fachin no 7 de Setembro ocorre em um momento de tensão dentro do Supremo Tribunal Federal. Na semana passada, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de conversas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A divulgação do conteúdo provocou manifestações contra Moraes que ocorreram paralelamente à programação oficial da Independência.
Fachin também participou, na semana anterior, de um evento com Lula no Palácio do Planalto. Na ocasião, o presidente do STF fez um discurso no qual abordou a crise envolvendo a Corte.
Antes da cerimônia no Planalto, Fachin conversou com Lula e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Também participaram da conversa o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luis Felipe Salomão, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Cerimônia ocorre durante período eleitoral
Por ocorrer durante o período de campanha eleitoral, o ato oficial deste ano teve formato mais sóbrio em comparação com outras cerimônias realizadas durante o atual mandato de Lula. As regras eleitorais restringem o uso de recursos, equipamentos e estruturas do governo durante a campanha, com o objetivo de impedir eventual utilização da máquina pública em benefício de candidatos.
Por esse motivo, não houve distribuição de itens temáticos da Independência, como bonés com a mensagem oficial do ano. As restrições também alcançaram o tradicional pronunciamento presidencial em cadeia nacional de rádio e televisão. Lula precisou de autorização para veicular a mensagem, transmitida no domingo (6).
Com duração de 3 minutos e 43 segundos, o discurso teve como principal tema a soberania nacional. Lula defendeu que o Brasil explore seus recursos naturais, incluindo minerais considerados estratégicos, e falou sobre a necessidade de enfrentar possíveis interferências estrangeiras.
O presidente também mencionou, de forma indireta, temas relacionados ao seu mandato, entre eles a discussão sobre o fim da jornada de trabalho na escala 6×1.
Flávio Bolsonaro realiza ato na Avenida Paulista
Enquanto Lula participou da cerimônia oficial em Brasília, adversários do presidente organizaram manifestações em outras regiões do país. O principal rival de Lula na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), comandou um ato na Avenida Paulista, em São Paulo.
A movimentação ocorre em um cenário de disputa eleitoral acirrada. A pesquisa Datafolha mais recente apontou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, aumentando a importância dos atos políticos realizados durante o feriado da Independência.
O cenário também diferencia a cerimônia deste ano de episódios anteriores. Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro não realizou pronunciamento em cadeia de rádio e televisão. No dia do desfile, entretanto, participou de atos com tom eleitoral e fez pedidos de voto a apoiadores em um trio elétrico.
Neste ano, as limitações impostas pela legislação eleitoral fizeram com que a participação institucional de Lula no 7 de Setembro fosse conduzida com maior cautela para evitar que a cerimônia oficial fosse confundida com atividade de campanha.
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