Enquanto a Amazônia registrou aumento nas áreas sob alerta, o Cerrado apresentou queda de 30%. No acumulado de 2026, os dois biomas mantêm redução do desmatamento.
O desmatamento na Amazônia aumentou 9% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área sob alerta de destruição da vegetação chegou a 350 quilômetros quadrados, contra 327 quilômetros quadrados registrados em setembro de 2025.
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O cenário foi diferente no Cerrado, onde os alertas de desmatamento apresentaram redução de 30%. A área identificada pelo monitoramento passou de 360 quilômetros quadrados, em setembro do ano passado, para 253 quilômetros quadrados no mês passado.
Os números foram divulgados nesta sexta-feira (9) e fazem parte do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), utilizado para identificar áreas com indícios de supressão da vegetação e orientar operações de fiscalização ambiental.
Apesar do crescimento registrado na Amazônia, o resultado de setembro representa o segundo menor índice para o mês na última década. No Cerrado, o volume de alertas também figura entre os mais baixos da série histórica, iniciada em 2018.
Pará concentra metade dos alertas na Amazônia
O Pará foi o estado com a maior área sob alerta de desmatamento na Amazônia durante setembro, concentrando 177 quilômetros quadrados, aproximadamente metade de todo o território identificado pelo sistema.
Mato Grosso aparece na segunda posição, com 59 quilômetros quadrados, seguido pelo Amazonas, que registrou 51 quilômetros quadrados de áreas sob alerta.
No Cerrado, o Maranhão liderou os registros, com 81 quilômetros quadrados, seguido por Mato Grosso, com 58 quilômetros quadrados, e Tocantins, com 38 quilômetros quadrados.
A distribuição dos alertas mostra que a pressão sobre a vegetação nativa continua concentrada em estados que enfrentam desafios relacionados à expansão das atividades econômicas, à ocupação territorial e ao combate à derrubada ilegal de florestas.
Desmatamento acumula redução nos primeiros nove meses de 2026
Apesar da elevação observada em setembro, os dados acumulados de janeiro a setembro indicam diminuição das áreas sob alerta de desmatamento nos dois biomas.
Na Amazônia, a área monitorada caiu de 3.272 quilômetros quadrados nos primeiros nove meses de 2025 para 2.392 quilômetros quadrados no mesmo intervalo de 2026, uma redução de aproximadamente 27%.
No Cerrado, os alertas passaram de 4.476 para 4.063 quilômetros quadrados, representando queda de 9%.
Somados, os dois biomas registraram 6.455 quilômetros quadrados de áreas sob alerta de desmatamento neste ano. A extensão equivale a mais de quatro vezes o território do município de São Paulo, que possui aproximadamente 1.521 quilômetros quadrados.
A comparação com anos anteriores também evidencia a redução dos alertas na região amazônica. Em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, o monitoramento apontou 8.590 quilômetros quadrados de áreas sob alerta entre janeiro e setembro, volume superior a três vezes o registrado no mesmo período de 2026.
Fiscalização ambiental e período de seca influenciam os resultados
Especialistas associam parte da redução observada nos últimos anos à retomada de políticas de proteção ambiental, ao fortalecimento dos órgãos fiscalizadores e à implementação de medidas de controle do desmatamento.
Entre as iniciativas desenvolvidas durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão a recomposição de equipes de fiscalização, o reforço das ações de monitoramento e a adoção de restrições financeiras contra responsáveis pela destruição irregular da vegetação.
As políticas são conduzidas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, comandado por Marina Silva.
Outro fator que influencia os registros é a sazonalidade. Historicamente, julho, agosto e setembro apresentam condições favoráveis ao avanço do desmatamento na Amazônia, devido à redução das chuvas e à maior facilidade de acesso às áreas de floresta.
No Cerrado, o período seco costuma começar mais cedo, geralmente em maio, e se prolonga por vários meses.
Redução ainda representa desafio para metas climáticas
Embora os indicadores acumulados apontem uma tendência de queda, o desmatamento continua sendo um dos principais obstáculos para o cumprimento dos compromissos ambientais assumidos pelo Brasil.
A retirada da vegetação nativa contribui para a emissão de gases de efeito estufa, a perda da biodiversidade e as alterações no equilíbrio climático, com consequências para diferentes regiões do país.
Os dados do Deter funcionam como um instrumento de acompanhamento e fiscalização, mas não representam a taxa oficial de desmatamento. Essa medição é realizada pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), também desenvolvido pelo Inpe, que utiliza metodologia mais detalhada e divulga resultados anuais.
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