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Coronel demitido por Bolsonaro é o autor da denúncia que prendeu Filipe Martins

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Ricardo Roquetti, ex-diretor do MEC e antigo desafeto da ala olavista, comunicou ao STF que perfil do ex-assessor visitou sua conta no LinkedIn.

O retorno do ex-assessor presidencial Filipe Martins à prisão preventiva, determinado nesta sexta-feira (2/1) pelo ministro Alexandre de Moraes, teve como origem um e-mail enviado por uma figura central nas disputas internas do governo Jair Bolsonaro: o coronel aviador da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB), Ricardo Wagner Roquetti.

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Demitido do Ministério da Educação (MEC) em 2019 após conflitos diretos com a ala ideológica do governo, Roquetti foi o responsável por alertar o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a violação das medidas cautelares impostas a Martins. O episódio marca um novo capítulo no embate entre militares e o grupo ligado ao falecido filósofo Olavo de Carvalho, do qual Filipe Martins era um dos principais expoentes.

O rastro digital e o e-mail ao STF

A denúncia formalizada por Ricardo Roquetti baseou-se em um mecanismo de notificação da rede social LinkedIn. No dia 29 de dezembro, o coronel enviou uma mensagem eletrônica diretamente ao gabinete de Alexandre de Moraes, relatando um fato incomum: o sistema da plataforma havia identificado o perfil verificado de Filipe Martins como visitante de sua página pessoal.

No comunicado, Roquetti detalhou a dinâmica que levantou suspeitas. Segundo o militar, não existia qualquer vínculo profissional ou pessoal entre ele e o ex-assessor que justificasse tal interação. O coronel argumentou que, embora não pudesse atestar se o acesso foi realizado pessoalmente por Martins ou por terceiros, o registro digital confirmava o uso da conta, o que contrariava a decisão judicial que proibia o réu de acessar redes sociais.

Preocupado com a possível irregularidade, o militar decidiu comunicar o fato às autoridades competentes, avaliando que a visualização poderia indicar descumprimento de medida cautelar. Em seu e-mail, Roquetti solicitou expressamente que sua identidade fosse preservada sob sigilo. No entanto, o pedido não foi atendido, e a mensagem foi anexada integralmente ao despacho de Moraes, revelando publicamente o nome do denunciante.

De pivô de crise no MEC a denunciante

A figura de Ricardo Roquetti carrega um histórico simbólico neste episódio. Em 2019, ele atuava como diretor de programa da Secretaria Executiva do MEC, sob a gestão do ministro Ricardo Vélez Rodríguez. Naquele período, Roquetti foi alvo de uma intensa campanha de desgaste promovida por seguidores de Olavo de Carvalho e servidores ligados à ala ideológica, que o acusavam de tentar militarizar a pasta e expurgar os “olavistas”.

A pressão culminou na exoneração do coronel em março de 2019, a pedido direto do então presidente Jair Bolsonaro. A demissão foi celebrada publicamente por Olavo de Carvalho, mentor intelectual do grupo ao qual Filipe Martins pertencia.

Cinco anos depois, o militar que foi afastado pelo núcleo duro do bolsonarismo forneceu a prova técnica fundamental para a nova prisão de um dos integrantes mais notórios desse mesmo grupo. Com base no relato de Roquetti e após ouvir a defesa, Alexandre de Moraes concluiu que houve desrespeito ao ordenamento jurídico e determinou a prisão de Martins em Ponta Grossa (PR).

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