O mercado automobilístico brasileiro iniciou o ano de 2026 com um fôlego impressionante, consolidando uma trajetória de recuperação que não era vista há quase duas décadas. De acordo com o balanço mais recente divulgado pela Trillia, unidade de dados da B3, o financiamento de veículos registrou uma alta de 12,8% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. Ao todo, o setor viabilizou a aquisição de 1,89 milhão de unidades, abrangendo desde automóveis leves e pesados até motocicletas, tanto novos quanto usados.
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Este volume representa o melhor resultado para os primeiros três meses do ano desde 2008, época em que o mercado alcançou a marca de 2,037 milhões de unidades financiadas. O desempenho atual reflete uma expansão consistente do crédito e uma confiança renovada do consumidor, apontando para um cenário econômico mais favorável ao setor de transportes e mobilidade.
Segmentação entre novos e usados
Embora o crescimento tenha sido generalizado, a liderança absoluta nas transações a prazo continua com os modelos seminovos. Entre janeiro e março de 2026, os veículos usados responderam por 1,21 milhão de unidades financiadas, o que equivale a um avanço de 12,2% sobre o ano anterior. Por outro lado, o segmento de modelos zero quilômetro apresentou uma aceleração percentual ainda mais vigorosa, com alta de 14,1% e um total de 675 mil unidades comercializadas via crédito.
No recorte por categoria de veículo, os automóveis leves continuam sendo o motor do setor, representando 1,31 milhão do total de contratos assinados. As motocicletas também ganharam destaque com um salto de 18,1%, somando 510,6 mil unidades. Já os veículos pesados, fundamentais para a logística nacional, registraram 69,3 mil financiamentos, mantendo uma curva de crescimento moderada de 3,9%.
Desempenho regional e expansão do financiamento de veículos
Um dado relevante do relatório da B3 é a capilaridade desse crescimento. Todas as regiões do Brasil apresentaram índices positivos no comparativo anual. O Nordeste despontou na liderança do crescimento percentual com uma alta de 16,6%, seguido de perto pelo Centro-Oeste com 15,3%. O Sul e o Sudeste registraram variações de 11,8% e 11,7%, respectivamente. Na região Norte, o avanço foi de 9,4%, demonstrando que a oferta de crédito está chegando de forma sólida aos estados amazônicos.
Quanto às modalidades de aquisição, o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) permanece como a escolha preferencial dos brasileiros. O CDC foi responsável por 1,619 milhão de unidades, crescendo 14,3% em relação a 2025. O consórcio também manteve sua relevância com 261,9 mil unidades contempladas, enquanto opções como leasing e outras linhas específicas completaram o volume total do trimestre.
Março registra recorde mensal e ajustes nos preços
O mês de março de 2026 foi particularmente extraordinário para o setor. Com 703 mil unidades financiadas, o mês registrou uma alta de 27,6% em relação a março do ano passado. Trata-se do melhor desempenho mensal desde agosto de 2011. Esse impulso foi sentido tanto nos novos, que cresceram quase 30% no mês, quanto nos usados.
Paralelamente ao aumento nas vendas, a Tabela Auto B3 indicou uma oscilação nos preços de transação durante o mês de março. Os veículos zero quilômetro tiveram uma alta média de 0,86%, impulsionada pela recomposição de valores em segmentos como SUVs e picapes médias. No mercado de usados, a situação foi de estabilidade, com uma variação sutil de 0,18%, mantendo o mercado secundário como uma alternativa atrativa para quem busca previsibilidade financeira.
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