Sem vínculo familiar com os dois principais nomes da política nacional, candidatos adotam os sobrenomes como forma de identificação eleitoral e de aproximação com os respectivos campos políticos.
A eleição de 2026 terá nas urnas pelo menos 8 candidatos identificados como “Lula” e outros 20 que utilizam o nome “Bolsonaro”. Apesar da semelhança nos registros eleitorais, nenhum deles possui parentesco com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os nomes são usados por apoiadores e admiradores dos dois políticos.
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A estratégia busca aproximar candidaturas de menor expressão dos líderes de seus respectivos campos políticos. Entre os candidatos que adotam “Lula”, há concorrentes a deputado estadual, deputado federal, governador e senador.
O grupo é formado por seis candidatos do PT, um do Avante e um do PSB. Um dos casos é o de Carlos Lula (PSB), que possui o sobrenome por direito próprio e também apoia o presidente nesta eleição. Apesar da coincidência, ele já esclareceu que não existe relação de parentesco entre os dois.
Candidatos Bolsonaro aparecem em diferentes partidos
A presença do sobrenome ligado ao ex-presidente é ainda mais numerosa. Dos 20 candidatos que levam “Bolsonaro” no nome eleitoral, 12 estão filiados ao PL, partido pelo qual Flávio Bolsonaro, filho primogênito de Jair Bolsonaro, disputa a Presidência.
Podemos e Novo têm dois candidatos cada. Democracia Cristã, Agir, PP (Partido Progressistas) e Democrata aparecem com um candidato cada. Entre os concorrentes, oito disputam vagas no Legislativo estadual, sete buscam cargos no Legislativo federal e um concorre a deputado distrital. Há ainda três candidaturas ao Senado que fazem referência ao ex-presidente.
A disputa pelo governo do Rio Grande do Norte reúne dois nomes que ilustram a estratégia. Rodrigo Bolsonaro (Agir) concorre ao Executivo estadual contra Cadu de Lula (PT), candidato que também utiliza em seu nome eleitoral uma referência direta ao presidente.
Apelidos também levam referências políticas
Nem todos os candidatos que adotam os sobrenomes pretendem fazer uma associação política direta. Alguns utilizam as denominações por causa da aparência física.
É o caso de “Bolsonaro da Shopee”, candidato do Novo em Mato Grosso, e de “Bolsonaro Sergipano”, do PL de Sergipe. As alcunhas são associadas às semelhanças físicas com Jair Bolsonaro.
Outro caso é o do médico Dr. Clélio (PL), que levará às urnas o apelido “Lula do bem”. Apesar da referência ao presidente, ele se identifica como bolsonarista e adotou o nome também por causa da aparência.
Família Bolsonaro também estará na disputa
A eleição contará ainda com oito nomes ligados à família do ex-presidente. Entre eles estão os filhos Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro, além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, da ex-esposa Rogéria Bolsonaro e do irmão dela, Renato.
Também aparecem Marcelo Bolsonaro e Valéria Bolsonaro, candidatos à Assembleia Legislativa de São Paulo e apontados como primos distantes do ex-presidente.
A lista inclui ainda Renata Bolsonaro (Agir), candidata a vice-governadora de São Paulo na chapa formada com Policial Edjane (Agir).
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026. Nas urnas, a presença de sobrenomes associados aos dois principais polos da disputa presidencial se estende, portanto, para candidaturas de diferentes cargos e partidos, inclusive entre pessoas sem vínculo familiar com os políticos que deram origem às referências.
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